{"id":742,"date":"1808-06-30T14:47:00","date_gmt":"1808-06-30T14:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/recoverdiscoverblog.com\/?p=742"},"modified":"2024-09-01T16:21:38","modified_gmt":"2024-09-01T16:21:38","slug":"correio-braziliense-ou-armazem-literario-1808-issue-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/betweensources.com\/pt\/digitised-sources\/newspapers\/correio-braziliense-ou-armazem-literario-1808-issue-1\/","title":{"rendered":"Correio Braziliense  1808 (n.1)"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group alignwide\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>The following text is a transcription of the first issue of the digitised facsimile of the Correio Braziliense available at <a href=\"https:\/\/digital.bbm.usp.br\/handle\/bbm\/1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Biblioteca Digital (BBM Digital)<\/a> da <a href=\"https:\/\/www.bbm.usp.br\/pt-br\/\"><strong>Biblioteca Brasiliana Guita e Jos\u00e9 Mindlin<\/strong> <strong>(BBM)<\/strong><\/a>. To enhance readability and enable future computational analysis, the spelling has been modernised. Headings have been added above the original titles to provide a clearer overview of the topics. Although every effort has been made to faithfully reproduce the text, this version is not intended to serve as a historical edition.<\/em> <em>The plain text (txt) can be downloaded below<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file alignright o-typing-slower o-typing-delay-1s has-white-background-color has-background wp-container-content-9cfa9a5a\"><a id=\"wp-block-file--media-b462570c-dae4-431f-b25b-b675e8f60716\" href=\"http:\/\/recoverdiscoverblog.com\/wp-content\/uploads\/1808\/06\/CorreioBraziliense_1808_n.1_.txt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><o-anim-typing>Correio Braziliense 1808 n.1<\/o-anim-typing><\/a><a href=\"http:\/\/recoverdiscoverblog.com\/wp-content\/uploads\/1808\/06\/CorreioBraziliense_1808_n.1_.txt\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-b462570c-dae4-431f-b25b-b675e8f60716\">Download<\/a><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-advgb-summary advgb-toc alignnone\"><li class=\"toc-level-1\"><a href=\"#introducao-20250396-2587-4e30-9f2b-d42e66b3b3ca\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/li><li class=\"toc-level-1\"><a href=\"#politica-8a22bcc7-aa28-493b-a8d3-39247879bfcb\">Pol\u00edtica<\/a><\/li><li class=\"toc-level-2\"><a href=\"#colecao-de-documentos-oficiais-relativos-a-portugal--527c8049-bf2d-4702-8aae-c5ee6056b73f\">Cole\u00e7\u00e3o de Documentos Oficiais relativos a Portugal<\/a><\/li><li class=\"toc-level-4\"><a href=\"#decreto do-principe-regente-de-portugal-pelo-qual-declara-a-sua-intencao-de-mudar-a-corte-para-o-brasil-e-erige-uma-regencia-para-governar-em-sua-ausencia-1a9ab26f-6815-407b-9885-da8855c45a37\">Decreto da mudan\u00e7a da corte para o Brasil ea institui\u00e7\u00e3o da  Reg\u00eancia em Portugal<\/a><\/li><li class=\"toc-level-4\"><a href=\"#decreto do-principe-regente-de-portugal-pelo-qual-declara-a-sua-intencao-de-mudar-a-corte-para-o-brasil-e-erige-uma-regencia-para-governar-em-sua-ausencia-1a9ab26f-6815-407b-9885-da8855c45a37\">Decreto do Pr\u00edncipe Regente de Portugal pelo qual declara a sua inten\u00e7\u00e3o de mudar a corte para o Brasil e erige uma Reg\u00eancia para governar em sua aus\u00eancia<\/a><\/li><li class=\"toc-level-4\"><a href=\"#instrucoes-a-que-se-refere-o-real-decreto-de-26-de-novembro-de-1807-3f741dd9-7772-4bc2-8a0b-bcb693381bae\">Instru\u00e7\u00f5es a que se refere o Real Decreto de 26 de Novembro de 1807:<\/a><\/li><li class=\"toc-level-4\"><a href=\"#proclamacao-de-junot-aos-habitantes-de-lisboa--24af1dad-3f76-4620-958e-1024369790ed\">Proclama\u00e7\u00e3o de Junot aos habitantes de Lisboa.<\/a><\/li><li class=\"toc-level-4\"><a href=\"#ordem-geral-do-exercito-da-estremadura-para-o-dia-8-de-dezembro-56d6001b-bc48-40a8-be4e-8536f8ef5899\">Ordem Geral do Ex\u00e9rcito da Estremadura para o dia 8 de Dezembro<\/a><\/li><li class=\"toc-level-4\"><a href=\"#relacao-circunstanciada-da-revolucao-de-espanha-b1e4f323-3f08-4e32-a6f3-6d7e11fc7b37\">Rela\u00e7\u00e3o Circunstanciada da Revolu\u00e7\u00e3o de Espanha<\/a><\/li><li class=\"toc-level-4\"><a href=\"#decreto-1c7715c5-213a-4ba2-b275-765d5139ee99\">DECRETO<\/a><\/li><li class=\"toc-level-4\"><a href=\"#eu-d-arias-antonio-mor-y-velarde-designado-governador-ad-interim-do-conselho--f65c17fb-bfea-4bd7-ad23-a23e2834bf4b\">&#8220;Eu, D. Arias Ant\u00f4nio Mor y Velarde, Designado Governador ad interim do Conselho.&#8221;<\/a><\/li><li class=\"toc-level-4\"><a href=\"#o-conselho-ao-publico-de-madrid-8e776c17-c8f8-4a6b-80cc-9332f32cf98d\">O Conselho ao P\u00fablico de Madrid<\/a><\/li><li class=\"toc-level-1\"><a href=\"#comercio-e-artes-5c9b5502-f61f-4f98-8555-1824aa31124e\">COM\u00c9RCIO E ARTES<\/a><\/li><li class=\"toc-level-3\"><a href=\"#presente-a-excelentissima-majestade-de-el-rey-em-conselho-d622750d-7f95-430a-9645-c472d9646421\">Presente a Excelent\u00edssima Majestade de El Rey, em Conselho<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"introducao-20250396-2587-4e30-9f2b-d42e66b3b3ca\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O primeiro dever do homem em sociedade \u00e9 de ser \u00fatil aos membros dela; e cada um deve segundo as suas for\u00e7as f\u00edsicas, ou morais administrar em benef\u00edcio da mesma, os conhecimentos, ou talentos, que a natureza, a arte, ou a educa\u00e7\u00e3o prestou. O Indiv\u00edduo que abrange o bem geral de uma sociedade, vem a ser o membro mais distinto dela: as luzes, que ele espalha, tiram das trevas, ou da ilus\u00e3o, aqueles, que a ignor\u00e2ncia precipitou no labirinto da apatia, da in\u00e9pcia, e do engano. Ningu\u00e9m mais \u00fatil pois do que aquele que se destina a mostrar, com evid\u00eancia, os acontecimentos do presente, e de desenvolver as sombras do futuro. Tal tem sido o trabalho dos redatores das filhas p\u00fablicas, quando estes, munidos de uma cr\u00edtica as, e de uma censura adequada, representam os fatos do momento, as reflex\u00f5es sobre o passado, e as s\u00f3lidas conjeturas sobre o futuro.<br>Devem-se a na\u00e7\u00e3o portuguesa as primeiras luzes destas obras, que, excitam a curiosidade p\u00fablica. Foi em Lisboa, na imprensa de Craesbeck, em 1649, que este Redator tra\u00e7ou, com evid\u00eancia, debaixo do nome de Boletim os acontecimentos da guerra de aclama\u00e7\u00e3o de D. Joao o quarto. Neste folheto se viam os fatos, tais quais a verdade os devia pintar, e desta obra interessante se valeu, ao depois, o Conde de Ericeira, para escrever a hist\u00f3ria da aclama\u00e7\u00e3o com tanta censura, e acertada cr\u00edtica como fez.<br> \u00c9 de admirar que, sendo n\u00f3s os primeiros promotores dos jornais p\u00fablicos na Europa, e sendo certo que estas publica\u00e7\u00f5es excitaram tanto o entusiasmo p\u00fablico da Na\u00e7\u00e3o Portuguesa nas guerras da aclama\u00e7\u00e3o, que v\u00e1rios oficiais de of\u00edcios mec\u00e2nicos se prestaram voluntariamente a ajudar a tropa nas diferentes batalhas de linhas d&#8217;Elvas, Ameixial e Montes Claros, recolhendo-se depois da vit\u00f3ria ao seio das suas fam\u00edlias e ao seu labor ordin\u00e1rio, at\u00e9 que uma nova ocasi\u00e3o de defesa nacional pedisse outra vez o socorro das suas armas para a extermina\u00e7\u00e3o do inimigo comum. Sendo tamb\u00e9m n\u00f3s aquela Na\u00e7\u00e3o que comprou a sua liberdade e independ\u00eancia com estes jornais pol\u00edticos, seremos agora a \u00fanica que se h\u00e1 de achar sem estes socorros, necess\u00e1rios a um estado independente, o qual poder\u00e1 algum dia rivalizar, pela sua situa\u00e7\u00e3o local, em que a natureza p\u00f4s o vasto Imp\u00e9rio do Brasil, \u00e0s primeiras pot\u00eancias do mundo?<br> Levado destes sentimentos de patriotismo e desejando aclarar os meus compatriotas sobre os fatos pol\u00edticos, civis e liter\u00e1rios da Europa, empreendi este projeto, o qual espero mere\u00e7a a geral aceita\u00e7\u00e3o daqueles a quem o dedico. <br> Longe de imitar s\u00f3 o primeiro despertador da opini\u00e3o p\u00fablica nos fatos que excitem a curiosidade dos povos, quero, al\u00e9m disso, tra\u00e7ar as melhorias das ci\u00eancias, das artes e, numa palavra, de tudo aquilo que pode ser \u00fatil \u00e0 sociedade em geral. Feliz eu se posso transmitir a uma Na\u00e7\u00e3o long\u00ednqua e sossegada, na l\u00edngua que lhe \u00e9 mais natural e conhecida, os acontecimentos desta parte do mundo, que a confusa ambi\u00e7\u00e3o dos homens vai levando ao estado da mais perfeita barbaridade. O meu \u00fanico desejo ser\u00e1 de acertar na geral opini\u00e3o de todos e para o que dedico a esta empresa todas as minhas for\u00e7as, na persuas\u00e3o de que o fruto do meu trabalho tocar\u00e1 a meta da esperan\u00e7a a que me propus.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Londres, 1.  de Junho, de 1808.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-dark-gray-color has-alpha-channel-opacity has-dark-gray-background-color has-background is-style-default\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\" id=\"politica-8a22bcc7-aa28-493b-a8d3-39247879bfcb\">Pol\u00edtica<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"colecao-de-documentos-oficiais-relativos-a-portugal--527c8049-bf2d-4702-8aae-c5ee6056b73f\">Cole\u00e7\u00e3o de Documentos Oficiais relativos a Portugal<\/h3>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" id=\"decreto do-principe-regente-de-portugal-pelo-qual-declara-a-sua-intencao-de-mudar-a-corte-para-o-brasil-e-erige-uma-regencia-para-governar-em-sua-ausencia-1a9ab26f-6815-407b-9885-da8855c45a37\"><em>Decreto<br> da mudan\u00e7a da corte para o Brasil ea institui\u00e7\u00e3o da  Reg\u00eancia em Portugal<\/em><\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" id=\"decreto do-principe-regente-de-portugal-pelo-qual-declara-a-sua-intencao-de-mudar-a-corte-para-o-brasil-e-erige-uma-regencia-para-governar-em-sua-ausencia-1a9ab26f-6815-407b-9885-da8855c45a37\"><em>Decreto<br> do Pr\u00edncipe Regente de Portugal pelo qual declara a sua inten\u00e7\u00e3o de mudar a corte para o Brasil e erige uma Reg\u00eancia para governar em sua aus\u00eancia<\/em><\/h5>\n\n\n\n<p>Tendo procurado, por todos os meios poss\u00edveis, conservar a neutralidade de que at\u00e9 agora t\u00eam gozado os meus fi\u00e9is e amados vassalos e, a pesar de ter exaurido o meu real er\u00e1rio e de todos os mais sacrif\u00edcios a que me tenho sujeitado, chegando ao excesso de fechar os portos dos meus reinos aos vassalos do meu antigo e leal aliado, o rei da Gr\u00e3-Bretanha, expondo o com\u00e9rcio dos meus vassalos \u00e0 total ru\u00edna e a sofrer por este motivo grave preju\u00edzo nos rendimentos da minha coroa:<br>Vejo que pelo interior do meu reino marcham tropas do Imperador dos Franceses e Rei de It\u00e1lia, a quem eu me havia unido no continente, na persuas\u00e3o de n\u00e3o ser mais inquietado; e que as mesmas se dirigem a esta capital:<br>E querendo eu evitar as funestas consequ\u00eancias que se podem seguir de uma defesa que seria mais nociva que proveitosa, servindo s\u00f3 de derramar sangue em preju\u00edzo da humanidade e capaz de acender mais a dissens\u00e3o de umas tropas que t\u00eam transitado por este reino com o an\u00fancio e promessa de n\u00e3o cometerem a menor hostilidade; conhecendo igualmente que elas se dirigem muito particularmente contra a minha real pessoa e que os meus leais vassalos ser\u00e3o menos inquietados ausentando-me eu deste reino:<br>Tenho resolvido, em benef\u00edcio dos mesmos meus vassalos, passar com a rainha minha senhora e m\u00e3e e com toda a real fam\u00edlia para os Estados da Am\u00e9rica e estabelecer-me na cidade do Rio de Janeiro at\u00e9 a paz geral. E considerando mais quanto conv\u00e9m deixar o governo destes reinos naquela ordem que cumpre ao bem deles e de meus povos, como coisa a que t\u00e3o essencialmente estou obrigado, tendo nisto todas as considera\u00e7\u00f5es que em tal caso me s\u00e3o presentes:<br>Sou servido nomear para, na minha aus\u00eancia, governarem e regerem estes meus reinos, o Marqu\u00eas de Abrantes, meu muito amado e prezado primo; Francisco da Cunha de Menezes, Tenente-General dos meus Ex\u00e9rcitos; o principal Castro, do meu Conselho e Regedor das Justi\u00e7as; Pedro de Mello Breyner, do meu Conselho, que servir\u00e1 de Presidente do meu Real Er\u00e1rio, na falta e impedimento de Luiz de Vasconcelos e Souza, que se acha impossibilitado com as suas mol\u00e9stias; Dom Francisco de Noronha, Tenente-General dos meus Ex\u00e9rcitos e Presidente da Mesa da Consci\u00eancia e Ordens; e na falta de qualquer deles, o Conde Monteiro Mor, que tenho nomeado Presidente do Senado da C\u00e2mara, com a assist\u00eancia dos dois secret\u00e1rios, o Conde de Sampaio e, em seu lugar, Dom Miguel Pereira Forjaz, e do Desembargador do Pa\u00e7o e meu Procurador da Coroa, Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Salter de Mendon\u00e7a, pela grande confian\u00e7a que de todos eles tenho e larga experi\u00eancia que eles t\u00eam tido das coisas do mesmo governo;<br>Tendo por certo que os meus reinos e povos ser\u00e3o governados e regidos de maneira que a minha consci\u00eancia seja desencarregada e eles governadores cumpram inteiramente a sua obriga\u00e7\u00e3o enquanto Deus permitir que eu esteja ausente desta capital, administrando a justi\u00e7a com imparcialidade, distribuindo os pr\u00eamios e castigos conforme os merecimentos de cada um. Os mesmos governadores o tenham assim entendido e cumpram na forma sobredita e na conformidade das instru\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o com este decreto por mim assinadas; e far\u00e3o as participa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0s reparti\u00e7\u00f5es competentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Pal\u00e1cio de Nossa Senhora da Ajuda, em vinte e seis de Novembro de mil oitocentos e sete.<br>Com a Rubrica do Pr\u00edncipe N. S. <\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-dark-gray-color has-alpha-channel-opacity has-dark-gray-background-color has-background is-style-default\"\/>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" id=\"instrucoes-a-que-se-refere-o-real-decreto-de-26-de-novembro-de-1807-3f741dd9-7772-4bc2-8a0b-bcb693381bae\">Instru\u00e7\u00f5es a que se refere o Real Decreto de 26 de Novembro de 1807:<\/h5>\n\n\n\n<p>Os Governadores, que houve por bem nomear pelo meu Real Decreto da data destas, para na minha aus\u00eancia governarem estes reinos, dever\u00e3o prestar o juramento do estilo nas m\u00e3os do Cardeal Patriarca, e cuidar\u00e3o com todo o zelo, vigil\u00e2ncia e atividade na administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a, distribuindo-a imparcialmente; e conservando em rigorosa observ\u00e2ncia as leis deste reino.<\/p>\n\n\n\n<p>Guardar\u00e3o aos nacionais todos os privil\u00e9gios que por mim e pelos senhores reis meus antecessores se acham concedidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Decidir\u00e3o \u00e0 pluralidade de votos as consultas que pelos respectivos tribunais lhes forem apresentadas, regulamentando-se sempre pelas leis e costumes do reino.<\/p>\n\n\n\n<p>Prover\u00e3o os lugares de letras e os of\u00edcios de Justi\u00e7a e Fazenda na forma at\u00e9 agora por mim praticada.<\/p>\n\n\n\n<p>Cuidar\u00e3o em defender as pessoas e bens dos meus leais vassalos, escolhendo para os empregos militares aqueles que deles se conhecerem serem benem\u00e9ritos.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurar\u00e3o, quanto poss\u00edvel for, conservar a paz neste reino; e que as tropas do Imperador dos Franceses e Rei de It\u00e1lia sejam bem aquarteladas e assistidas de tudo o que lhes for preciso, enquanto se detiverem neste reino, evitando todo e qualquer insulto que se possa perpetrar e castigando-o rigorosamente quando aconte\u00e7a; conservando sempre a boa harmonia que se deve praticar com os ex\u00e9rcitos das na\u00e7\u00f5es com as quais nos achamos unidos no continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando suceda, por qualquer modo, faltar algum dos ditos governadores, eleger\u00e3o \u00e0 pluralidade de votos quem lhe suceda. Confio muito na sua honra e virtude que os meus povos n\u00e3o sofrer\u00e3o inc\u00f4modo na minha aus\u00eancia; e que, permitindo Deus que volte a estes meus reinos com brevidade, encontre todos contentes e satisfeitos, reinando sempre entre eles a boa ordem e tranquilidade que deve haver entre vassalos que t\u00e3o dignos se t\u00eam feito do meu paternal cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>Pal\u00e1cio de Nossa Senhora da Ajuda, em vinte e seis de Novembro de mil oitocentos e sete.<br>PR\u00cdNCIPE.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-dark-gray-color has-alpha-channel-opacity has-dark-gray-background-color has-background is-style-default\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:12px\">N.B. A seguinte proclama\u00e7\u00e3o era em franc\u00eas e portugu\u00eas, formando duas colunas.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" id=\"proclamacao-de-junot-aos-habitantes-de-lisboa--24af1dad-3f76-4620-958e-1024369790ed\"><em>Proclama\u00e7\u00e3o de Junot aos habitantes de Lisboa.<\/em><\/h5>\n\n\n\n<p><em>O Governador de Paris, Primeiro Ajudante de Campo de S. M. o Imperador e Rei, General em Chefe, Grande-Cruz da Ordem de Cristo nestes reinos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Habitantes de Lisboa,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O meu ex\u00e9rcito vai entrar na vossa cidade. Eu vinha salvar o vosso porto e o vosso pr\u00edncipe da influ\u00eancia maligna da Inglaterra. Mas este pr\u00edncipe, ali\u00e1s respeit\u00e1vel pelas suas virtudes, deixou-se arrastar pelos conselheiros p\u00e9rfidos de que era cercado, para ser por eles entregue aos seus inimigos; atreveram-se a assust\u00e1-lo quanto \u00e0 sua seguran\u00e7a pessoal; os seus vassalos n\u00e3o foram tidos em conta alguma e os vossos interesses foram sacrificados \u00e0 covardia de uns poucos de cortes\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Moradores de Lisboa, vivei sossegados em nossas casas: n\u00e3o receeis coisa alguma do meu ex\u00e9rcito, nem de mim: os nossos inimigos e os malvados somente devem temer-nos. O Grande Napole\u00e3o, meu amo, envia-me para vos proteger, eu vos protegerei.<\/p>\n\n\n\n<p>JUNOT.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" id=\"ordem-geral-do-exercito-da-estremadura-para-o-dia-8-de-dezembro-56d6001b-bc48-40a8-be4e-8536f8ef5899\">Ordem Geral do Ex\u00e9rcito da Estremadura para o dia 8 de Dezembro<\/h5>\n\n\n\n<p><em>(N.B. Esta proclama\u00e7\u00e3o era em Espanhol e Portugu\u00eas.)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A ferocidade nunca foi valor; \u00e9 sempre uma prova de barbaridade e, na maioria das vezes, de cobardia. A maior confian\u00e7a, a maior honra que o Rei pode fazer a um vassalo \u00e9 entregar-lhe as suas armas consagradas sempre \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da Monarquia, ao amparo da Religi\u00e3o e das Leis, \u00e0 defesa dos seus vassalos e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos seus amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o governo portugu\u00eas nos d\u00e1 provas da sua amizade, recebendo-nos no seu territ\u00f3rio, seria corresponder-lhe de um modo indigno do car\u00e1ter espanhol, seria faltar a todas as leis, converter em inimigas estas mesmas armas protetoras. A guerra tem os seus direitos e as suas leis; e s\u00f3 pode ter lugar entre os chefes dos governos: n\u00f3s, os governados, n\u00e3o estamos autorizados a faz\u00ea-la, sen\u00e3o \u00e0 voz dos chefes; o mais \u00e9 assassinato; e \u00e0 Justi\u00e7a universal pertence o castigo deste cobarde delito, odioso \u00e0 humanidade inteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Encarregados de uma importante expedi\u00e7\u00e3o, vamos desempenhar as esperan\u00e7as do nosso soberano; orgulhosos desta confian\u00e7a honrosa para n\u00f3s, n\u00e3o nos mostraremos indignos dela. N\u00e3o podemos consentir que permane\u00e7a conosco quem nos prive desta honra e manche o nome de todos, confundindo a opini\u00e3o geral do ex\u00e9rcito. Eu n\u00e3o sofrerei tal; toda a inj\u00faria de facto, de palavras e atos, e ainda tamb\u00e9m por gestos de desprezo, insulto ou provoca\u00e7\u00e3o a renovar rixas b\u00e1rbaras e preocupa\u00e7\u00f5es populares ser\u00e1 irremiss\u00edvel e severissimamente castigada por mim, n\u00e3o s\u00f3 com as penas positivas e legais em que possa incorrer, mas ainda com as arbitr\u00e1rias, ditadas pela import\u00e2ncia extraordin\u00e1ria das circunst\u00e2ncias, pela sua consequ\u00eancia, pela baixeza do proceder, pela desobedi\u00eancia ao Rei, pelo comprometimento das suas reais inten\u00e7\u00f5es e pelo desdouro do nome espanhol. O soldado receber\u00e1 todos os socorros; havendo carestia, saberemos, embora suportar priva\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas a troco do bom nome e da honra de desempenhar um grande objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os chefes dos corpos de meu mando me s\u00e3o conhecidos; os soldados sabem que eu os conhe\u00e7o pessoalmente; n\u00e3o se envilecer\u00e3o; eles n\u00e3o vieram da Andaluzia comigo para desobedecer ao Rei, nem para desonrar a Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quartel-General de Badajoz, 30 de Novembro de 1807.<br>O MARQU\u00caS DEL SOCCORRO.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" id=\"relacao-circunstanciada-da-revolucao-de-espanha-b1e4f323-3f08-4e32-a6f3-6d7e11fc7b37\">Rela\u00e7\u00e3o Circunstanciada da Revolu\u00e7\u00e3o de Espanha<\/h5>\n\n\n\n<p>Desde que o Pr\u00edncipe das Ast\u00farias foi acusado de querer destronar seu pai, o esp\u00edrito p\u00fablico em Espanha esteve sempre agitado. A marcha das tropas francesas pelos territ\u00f3rios espanh\u00f3is, mesmo depois de cessar o pretexto (que era a conquista de Portugal), assustou a na\u00e7\u00e3o de tal maneira que o povo julgou necess\u00e1rio examinar a conduta aparentemente hostil de um aliado. O governo mandou recolher as tropas que se encontravam empregadas na chamada conquista de Portugal e tomou outras provid\u00eancias que evidenciaram claramente a indecis\u00e3o, falta de energia e pareceres opostos que reinavam no conselho. Os mal-intencionados e partid\u00e1rios espalhavam rumores adaptados aos seus fins: uns diziam que o Pr\u00edncipe da Paz havia formado um plano com a Rainha para a ru\u00edna do Pr\u00edncipe das Ast\u00farias; outros acusavam este de querer destronar seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos quinze de mar\u00e7o, foi corrente em Madrid o rumor de que o Rei, ent\u00e3o em Aranjuez, pretendia retirar-se para Sevilha, e que esta medida havia sido aprovada em Conselho pleno, mas n\u00e3o sem haver a mais formid\u00e1vel oposi\u00e7\u00e3o, e que a Rainha e o Pr\u00edncipe da Paz estavam determinados a fugir, enquanto o Pr\u00edncipe das Ast\u00farias e seu irm\u00e3o resolviam ficar. Embora isso fosse desconhecido, soube-se que as tropas aquarteladas em Madrid haviam recebido ordens para marchar, e os sintomas de como\u00e7\u00f5es eram cada vez mais evidentes.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 16, o Rei publicou uma proclama\u00e7\u00e3o tendente a acalmar os \u00e2nimos do povo, o que teve algum efeito, mas por breve espa\u00e7o. No dia 17, tornou-se p\u00fablico que as guardas espanholas marchavam para Aranjuez, ficando apenas dois regimentos de su\u00ed\u00e7os na cidade, que h\u00e1 muito tempo j\u00e1 eram odiados pelo povo. Com esta not\u00edcia, o caminho para Aranjuez encheu-se de gente, e ouviram-se gritos repetidos: &#8220;Espanh\u00f3is! Querem abandonar a vossa p\u00e1tria? Querem proteger a fuga de um pr\u00edncipe que sacrifica os seus vassalos e que vai introduzir desordem nas nossas col\u00f4nias? Teremos n\u00f3s t\u00e3o pouco esp\u00edrito como os habitantes de Lisboa?&#8221; Muitos dos ministros que n\u00e3o eram favor\u00e1veis \u00e0 partida do Rei enviaram cartas circulares a todas as aldeias vizinhas para informar o povo do que estava acontecendo e do iminente perigo para a p\u00e1tria.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 18, os cidad\u00e3os correram em tumulto para Aranjuez. As mudan\u00e7as de cavalos estavam j\u00e1 postas na estrada que leva a Sevilha; o lugar estava cheio de tropas, e a bagagem da corte come\u00e7ava a ser empacotada em todos os quartos do pal\u00e1cio. Na noite de 17 para 18, houve uma grande algazarra, e a casa do Pr\u00edncipe da Paz estava protegida pelas suas guardas, a quem se tinha dado uma senha particular, diferente da que tinha a guarda do castelo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s quatro horas da manh\u00e3, o povo atacou a casa do Pr\u00edncipe da Paz, mas os assaltantes foram recha\u00e7ados pelas guardas do mesmo pr\u00edncipe; as guardas de corpo seguiram o partido do povo, e todos juntos atacaram e desbarataram as guardas do pr\u00edncipe, arrombaram as portas, entraram no pal\u00e1cio, quebraram e destru\u00edram os m\u00f3veis mais preciosos e realizaram um saque geral. O Pr\u00edncipe da Paz conseguiu escapar por uma escada particular e foi conduzido ao Pal\u00e1cio do Rei com todo o respeito. O Pr\u00edncipe da Paz desapareceu, e D. Diogo de Godoy, seu irm\u00e3o, comandante das guardas de corpo, foi preso pelas mesmas guardas que comandava.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rei e a Rainha n\u00e3o se deitaram durante toda a noite entre 17 e 18. O embaixador franc\u00eas chegou de Madrid \u00e0s 5 horas da manh\u00e3 e imediatamente foi ter com Suas Majestades.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 18, apareceu uma proclama\u00e7\u00e3o do Rei pela qual concedia ao Pr\u00edncipe da Paz a sua demiss\u00e3o, aliviando-o do trabalho de seus numerosos e pesados empregos, e declarava a resolu\u00e7\u00e3o de tomar em pessoa o comando do ex\u00e9rcito e da esquadra. Este decreto foi manifestado ao povo em forma de proclama\u00e7\u00e3o tanto em Aranjuez como em Madrid.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo de Madrid, ao receber esta not\u00edcia, tornou a ajuntar-se em tumulto e atacou a casa do Pr\u00edncipe da Paz e a de outros ministros, quebrando e roubando os m\u00f3veis, sem encontrar oposi\u00e7\u00e3o alguma.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 19, apareceu p\u00fablico o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" id=\"decreto-1c7715c5-213a-4ba2-b275-765d5139ee99\">DECRETO<\/h5>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o me permitindo as minhas cont\u00ednuas enfermidades suportar por mais tempo o importante peso do governo dos meus reinos, e tendo necessidade, para restabelecer a minha sa\u00fade, de gozar de uma vida particular em clima mais temperado, tenho decidido, depois de madur\u00edssima delibera\u00e7\u00e3o, abdicar da minha coroa, em favor das Ast\u00farias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Consequentemente, \u00e9 minha Real Vontade que ele seja daqui em diante reconhecido e obedecido como Rei e Senhor natural de todos os meus reinos e soberanias, e para que este Real Decreto de minha livre e espont\u00e2nea abdica\u00e7\u00e3o seja executado de forma exata e direta, o comunicareis ao Conselho e a todos os que lhe pertencer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>EU, O REI.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dado em Aranjuez, aos 19 de mar\u00e7o de 1808.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A. D. PEDRO CEVALLOS<\/p>\n\n\n\n<p>Em consequ\u00eancia deste decreto, publicou-se o seguinte edital:<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" id=\"eu-d-arias-antonio-mor-y-velarde-designado-governador-ad-interim-do-conselho--f65c17fb-bfea-4bd7-ad23-a23e2834bf4b\">&#8220;Eu, D. Arias Ant\u00f4nio Mor y Velarde, Designado Governador ad interim do Conselho.&#8221;<\/h5>\n\n\n\n<p>&#8220;O Rei Nosso Senhor Fernando VII comunica-me por v\u00e1rias ordens que acabo de receber, que Sua Majestade tomou a resolu\u00e7\u00e3o de confiscar imediatamente todos os bens, fazendas, efeitos, a\u00e7\u00f5es e direitos de D. Manuel Godoy, onde quer que eles se possam encontrar; para cujo fim Sua Majestade tomou as medidas convenientes para verificar a que bens lhe pertencem. Ele tem igualmente resolvido vir brevemente a esta cidade para se fazer aclamar; por\u00e9m, Sua Majestade deseja, primeiro, que o povo de Madrid tamb\u00e9m se afei\u00e7\u00f5es e amante de Sua Real Pessoa, lhe d\u00ea provas de tranquilidade e sossego; assegurando-os que ele deu ordens contra D. Manuel de Godoy, suas fazendas e rendas, as quais j\u00e1 n\u00e3o lhe pertencem; que Sua Majestade pensa seriamente em reparar as inj\u00farias feitas aos seus amados vassalos que t\u00eam sofrido por sua causa; enfim, ele vigiar\u00e1 e tomar\u00e1 todas as medidas que forem capazes de assegurar a felicidade deles.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sua Majestade tamb\u00e9m me faz saber que nomeou Sua Excel\u00eancia o Duque de Infantado, Coronel de Suas Guardas Espanholas, conferindo-lhe ao mesmo tempo a Presid\u00eancia de Castela. O Rei meu Amo deseja tamb\u00e9m que as pessoas que foram presas em consequ\u00eancia da causa processada em S\u00e3o Louren\u00e7o voltem para o lado de Sua Majestade. E para que a not\u00edcia chegue a todos e o leal povo de Madrid possa conhecer o quanto o Rei trabalha para a sua felicidade e seguran\u00e7a, me ordenou que isto vos comunicasse, o que por esta fa\u00e7o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Madrid, 20 de mar\u00e7o de 1808.<\/p>\n\n\n\n<p>D. \u00c1RIAS MOR<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\" id=\"o-conselho-ao-publico-de-madrid-8e776c17-c8f8-4a6b-80cc-9332f32cf98d\">O Conselho ao P\u00fablico de Madrid<\/h5>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o deve nada perturbar a tranquilidade p\u00fablica no momento da exalta\u00e7\u00e3o ao trono de Espanha de El Rey Fernando VII. Os seus fi\u00e9is vassalos t\u00eam dado a Sua Majestade provas de devo\u00e7\u00e3o e amor; eles n\u00e3o devem duvidar da afei\u00e7\u00e3o que Sua Majestade lhes tem, nem da aten\u00e7\u00e3o que est\u00e1 empenhada em fazer a felicidade p\u00fablica e satisfazer os desejos do povo de Madrid.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por\u00e9m, o que \u00e9 de maior import\u00e2ncia para o bom sucesso das elevadas vistas de Sua Majestade \u00e9 a ordem p\u00fablica, e se \u00e9 poss\u00edvel assegurar tal ordem, o Conselho solicita que os habitantes desta fiel cidade se retirem para suas casas e que permane\u00e7am na maior tranquilidade, persuadidos como est\u00e1 o mesmo Conselho, de que assim dar\u00e3o a Sua Majestade, no primeiro momento de seu governo, o mais seguro testemunho da sinceridade dos seus sentimentos e das aclama\u00e7\u00f5es de fidelidade que t\u00eam ouvido nestes dias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Verdadeira c\u00f3pia do original. Certificado por Bartholomeu Mu\u00f1oz de Torres, do Conselho de Sua Majestade, seu Secret\u00e1rio, &amp;c.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mu\u00f1oz de Torres<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"comercio-e-artes-5c9b5502-f61f-4f98-8555-1824aa31124e\"><strong>COM\u00c9RCIO E ARTES<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Como as propriedades portuguesas que foram retidas pelos navios de guerra e cors\u00e1rios ingleses t\u00eam sido generosamente libertadas pelo Governo Brit\u00e2nico, e n\u00e3o obstante, sofrem ainda restri\u00e7\u00f5es que fazem com que seus donos n\u00e3o estejam ainda de posse delas, dar\u00e1-se aqui uma conta exata desses procedimentos, principiando por apresentar ao p\u00fablico os documentos aut\u00eanticos que dizem respeito \u00e0 mat\u00e9ria; para que as pessoas interessadas possam ajuizar por si mesmas das reflex\u00f5es que depois se h\u00e1 de fazer sobre esses mesmos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Londres, 25 de Novembro de 1806.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"presente-a-excelentissima-majestade-de-el-rey-em-conselho-d622750d-7f95-430a-9645-c472d9646421\">Presente a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/John_VI_of_Portugal\">Excelent\u00edssima Majestade de El Rey<\/a>, em Conselho<\/h4>\n\n\n\n<p>&#8221; Sua Majestade, tomando em considera\u00e7\u00e3o as circunst\u00e2ncias que t\u00eam obrigado e compelido Portugal a fechar os seus portos aos navios e fazendas dos vassalos de Sua Majestade, tem servido ordenar, com e pelo parecer de Seu Conselho Privado, e por esta fica ordenado, que todos os navios e fazendas pertencentes a Portugal, que t\u00eam sido e est\u00e3o agora detidos nos portos deste Reino ou em outra qualquer parte, sejam restitu\u00eddos; com tanto que a Alta Corte do Almirantado ou Corte de Vice Almirantado, (nos casos em que houver j\u00e1 processo come\u00e7ado ou houver de come\u00e7ar-se) tenha pronunciado que pertencem a vassalos e habitantes de Portugal, e n\u00e3o sendo por outro motivo sujeitas a confisca\u00e7\u00e3o: e que ser\u00e1 permitido aos ditos navios e bens proceder para qualquer porto neutral ou para Portugal. E, outrossim, fica ordenado que os navios e bens pertencentes a Portugal n\u00e3o ser\u00e3o sujeitos a deten\u00e7\u00e3o, at\u00e9 segunda ordem; com tanto que tais navios e bens negociem de algum ou para algum porto deste Reino: ou para Gibraltar ou Malta; e procedendo diretamente para o porto especificado no seu despacho da Alf\u00e2ndega; ou entre um porto neutral e outro porto neutral, ou entre Portugal e os portos de Suas Col\u00f4nias; ou de algum porto dos aliados de Sua Majestade e procedendo diretamente para os portos especificados nos seus respectivos despachos de Alf\u00e2ndega: com tanto que tais portos n\u00e3o estejam a esse tempo em estado de bloqueio atual. E, outrossim, fica ordenado que os navios de Portugal n\u00e3o gozar\u00e3o da imunidade em virtude de tratados que haja entre Sua Majestade e Portugal, de proteger nenhuns bens carregados nos mesmos, que possam ali\u00e1s ser sujeitos a confisca\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8221; E os Muito Honrados Lords comiss\u00e1rios do Tesouro de Sua Majestade, os Principais Secret\u00e1rios de Estado de Sua Majestade, os Ju\u00edzes da Alta Corte do Almirantado, as Cortes do Vice Almirantado, tomar\u00e3o as medidas necess\u00e1rias, nesta conformidade, segundo o que a cada um deles pertencer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/w\/index.php?title=William_Augustus_Fawkener&amp;oldid=1238694596\">W. Fawkener<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na Corte do Pal\u00e1cio da Rainha, aos 6 de Janeiro de 1807.<\/p>\n\n\n\n<p>Presente a Excelent\u00edssima Majestade de El Rey, em Conselho<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por quanto, \u00e9 conveniente no estado atual dos vassalos de Sua Majestade Fidel\u00edssima, e durante a interrup\u00e7\u00e3o da correspond\u00eancia comercial entre a Gr\u00e3-Bretanha e Portugal, que se permitam reclama\u00e7\u00f5es da propriedade portuguesa que tem sido detida e trazida pelos navios de guerra de Sua Majestade e cors\u00e1rios. Sua Majestade tem servido ordenar, por e com o parecer do seu Conselho Privado, e por esta fica ordenado, que as reclama\u00e7\u00f5es da propriedade portuguesa, dadas por pessoas devidamente autorizadas pelos donos, ou pelo C\u00f4nsul, ou outra pessoa autorizada pelo Ministro Portugu\u00eas Residente nesta Corte, ser\u00e3o admitidas na Alta Corte do Almirantado, e outrossim fica ordenado, que se decretar\u00e1 a restitui\u00e7\u00e3o imediata de toda a propriedade de tal natureza, que pelos conhecimentos e outros documentos, achados a bordo de navios portugueses vindo das col\u00f4nias portuguesas para os portos de Portugal, se mostre pertencer a Sua Majestade Fidel\u00edssima, ou a algum dos seus vassalos residentes, \u00e0 data desta ordem, no Brasil ou em outro algum estabelecimento estrangeiro, pertencente \u00e0 sua Coroa; ou em Inglaterra, ou em algum pa\u00eds que esteja em amizade com Sua Majestade; sobre uma reclama\u00e7\u00e3o geral, por cada navio e bens, dada pelo C\u00f4nsul, debaixo da autoridade sobredita. E fica outrossim ordenado, que a propriedade dos vassalos de Sua Majestade Fidel\u00edssima, \u00e0 data desta ordem residentes em Portugal, ou lhes perten\u00e7a separadamente, ou conjuntamente com vassalos residentes no Brasil, ou outros lugares acima mencionados, ser\u00e1 pronunciada pertencer a quem declarar a reclama\u00e7\u00e3o, sendo reclama\u00e7\u00e3o geral dada pela mesma propriedade, que se achar a bordo de tais navios portugueses, como fica dito. E outrossim fica ordenado, que a propriedade ultimamente mencionada, assim como toda a outra propriedade reclamada debaixo de reclama\u00e7\u00f5es particulares, j\u00e1 dadas ou que hajam de dar-se, e que for pronunciada ser propriedade portuguesa, e pertencer a pessoas residentes em Portugal, \u00e0 data desta ordem, ficar\u00e1 sujeita \u00e0s ordens ulteriores de Sua Majestade; no entanto, se entregar\u00e1 \u00e0 cust\u00f3dia da junta de Agentes, que ser\u00e3o nomeados por parte de Sua Majestade e por parte do Ministro Portugu\u00eas residente nesta Corte; ou de qualquer reclamante, e que aquela parte da mesma, que foi sujeita a danificar-se, ou que por outras raz\u00f5es se julgue conveniente vender, ser\u00e1 vendida pelos sobreditos Agentes, debaixo de Comiss\u00f5es que devem ser expedidas pela Alta Corte do Almirantado; e o produto dessas vendas ser\u00e1 depositado na dita Corte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E os Muito Honrados Lords Comiss\u00e1rios do Tesouro de Sua Majestade, o Principal Secret\u00e1rio de Estado de Sua Majestade, os Lords Comiss\u00e1rios do Almirantado, e os Ju\u00edzes da Alta Corte do Almirantado e das Cortes de Vice Almirantado, dever\u00e3o tomar as medidas necess\u00e1rias, nesta conformidade, segundo o que a cada um deles pertencer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>W. FAWKENER<\/p>\n\n\n\n<p>Na Corte do Pal\u00e1cio da Rainha, aos 4 de Maio de 1808,<\/p>\n\n\n\n<p>Presente a Excelent\u00edssima Majestade de El Rey em Conselho.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua Majestade, por e com o parecer do seu Conselho Privado, tem servido ordenar, e fica por este ordenado, que todas as propriedades portuguesas, agora detidas, e cuja restitui\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi decretada, nem tem direito a serem restitu\u00eddas pela ordem de 6 de Janeiro pr\u00f3ximo passado, ser\u00e3o imediatamente decretadas para restitui\u00e7\u00e3o, sobre as reclama\u00e7\u00f5es dadas, ou que houverem de dar-se pelo C\u00f4nsul Portugu\u00eas, ou outra pessoa devidamente autorizada pelo Ministro Portugu\u00eas Residente nesta Corte, ou pelos Agentes (devidamente autorizados) daqueles donos e propriet\u00e1rios, que agora n\u00e3o est\u00e3o residentes em Portugal, ou em outros lugares sujeitos \u00e0 influ\u00eancia e dire\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a; e que a parte desta propriedade, pertencente a pessoas n\u00e3o residentes em Portugal, ou em outros lugares sujeitos \u00e0 influ\u00eancia e dire\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a, ser\u00e1 para o uso dos donos e propriet\u00e1rios da mesma. E a parte pertencente conjuntamente a pessoas residentes em Portugal e pessoas residentes no Brasil, ou em algum dos estabelecimentos pertencentes \u00e0 Coroa de Portugal, ou no Reino Unido, ou em algum outro pa\u00eds em amizade com Sua Majestade, se entregar\u00e1 aos donos e propriet\u00e1rios da mesma, que forem residentes como se acaba de dizer, com tanto que se obriguem e deem fian\u00e7a, por parte dos ditos s\u00f3cios ou copropriet\u00e1rios, e tal fian\u00e7a que satisfa\u00e7a o Ministro Portugu\u00eas, de que responder\u00e3o ao Pr\u00edncipe Regente de Portugal por aquela parte da dita propriedade mista, que pertencer a pessoas residentes em Portugal, ou em outros lugares sujeitos \u00e0 influ\u00eancia e dire\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a; e a parte pertencente a pessoas residentes em Portugal, ou em outros lugares sujeitos \u00e0 influ\u00eancia e dire\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a, ficar\u00e1 \u00e0 futura disposi\u00e7\u00e3o do Pr\u00edncipe Regente de Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 outrossim ordenado, que a Junta de Agentes a quem foi, ou houver de ser, entregue a propriedade, na conformidade da dita ordem de 6 de Janeiro passado, ser\u00e1, e \u00e9 por esta autorizada, e insinuada a que, depois de se decretar a restitui\u00e7\u00e3o da dita propriedade, proceda a vender, ou toda, ou aquela parte, ou partes da mesma propriedade, que o Ministro Portugu\u00eas residente nesta Corte lhes insinuar, por escrito, que \u00e9 conveniente vender-se; na forma que for mais \u00fatil \u00e0s partes interessadas na mesma propriedade: e empregar o produto daquela parte que for vendida, em Ap\u00f3lices do Governo, debaixo da pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o, por escrito, do Ministro Portugu\u00eas; e guardar a mesma, juntamente com a propriedade n\u00e3o vendida, tendo-a sob ordens e sujeita \u00e0s ulteriores dire\u00e7\u00f5es do Pr\u00edncipe Regente de Portugal, que lhes ser\u00e3o intimadas por seu Ministro residente em Londres. E os Muito Honrados Lords Comiss\u00e1rios do Tesouro de Sua Majestade, os Principais Secret\u00e1rios de Estado de Sua Majestade, os Lords Comiss\u00e1rios do Almirantado, e o Juiz da Alta Corte do Almirantado, e os Ju\u00edzes das Cortes de Vice Almirantado, tomar\u00e3o as medidas necess\u00e1rias nesta conformidade, segundo o que a cada um deles pertencer.<\/p>\n\n\n\n<p>STEPHEN COTTRELL<\/p>\n\n\n\n<p>N. B. Os seguintes documentos, ainda que pare\u00e7am n\u00e3o ser de natureza pertencente ao artigo com\u00e9rcio, com tudo como eles deram origem \u00e0 ordem acima referida, em data de 6 de Janeiro pr\u00f3ximo passado, vem a ser necess\u00e1rio introduzi-los aqui por terem de servir para explicar o que se h\u00e1 de dizer depois sobre as propriedades portuguesas aqui detidas em Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Extrato da Gazeta Oficial de Londres, de 22 de Dezembro de 1807.<\/p>\n\n\n\n<p>Secretariado dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, 19 de Dezembro de 1807.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje se receberam despachos do Lord Visconde Strangford, Ministro Plenipotenci\u00e1rio de Sua Majestade na Corte de Lisboa; a seguinte \u00e9 a c\u00f3pia da carta que ele escreveu ao Muito Honrado George Canning, Principal Secret\u00e1rio de Estado de Sua Majestade, nos neg\u00f3cios estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Navio de Sua Majestade Hibernia, defronte do Tejo, 29 de Novembro de 1807.<\/p>\n\n\n\n<p>SENHOR,<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho a honra de anunciar-vos que o Pr\u00edncipe Regente de Portugal efetuou a sua s\u00e1bia e magn\u00e2nima resolu\u00e7\u00e3o de se retirar de um Reino que n\u00e3o podia conservar por mais tempo, sen\u00e3o reduzindo-se a vassalo da Fran\u00e7a, e que Sua Alteza Real e Fam\u00edlia, acompanhada pela maior parte dos seus navios de guerra e por grande multid\u00e3o de seus fi\u00e9is vassalos e aderentes, partiu hoje de Lisboa e se encontra em caminho para o Brasil, debaixo da escolta de uma esquadra inglesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Este grande e memor\u00e1vel acontecimento n\u00e3o deve ser atribu\u00eddo somente ao susto repentino, excitado pela presen\u00e7a de um Ex\u00e9rcito franc\u00eas dentro dos limites de Portugal. Foi sim isto o resultado genu\u00edno do sistema constante de Confian\u00e7a e Modera\u00e7\u00e3o, adotado por Sua Majestade a respeito deste Pa\u00eds; e pelo qual resultado final eu me tinha de certo modo feito respons\u00e1vel; e que em obedi\u00eancia \u00e0s vossas instru\u00e7\u00f5es, continuei sempre a suportar uniformemente, at\u00e9 debaixo de circunst\u00e2ncias que mais tendiam a desanimar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu representei, por muitas vezes, e muito distintamente, \u00e0 Corte de Lisboa que, convindo Sua Majestade em n\u00e3o ressentir-se da exclus\u00e3o do Com\u00e9rcio Brit\u00e2nico dos Portos de Portugal, havia Sua Majestade exaurido todos os meios de sofrimento; que fazendo esta concess\u00e3o \u00e0s circunst\u00e2ncias peculiares da situa\u00e7\u00e3o do Pr\u00edncipe Regente, Sua Majestade tinha feito tudo quanto a amizade e a lembran\u00e7a de uma antiga Alian\u00e7a podia com justi\u00e7a requerer; por\u00e9m que um simples passo al\u00e9m da linha de hostilidade modificada, em que se convinha com muita repugn\u00e2ncia, deveria necessariamente levar as coisas \u00e0 extremidade de guerra atual.<\/p>\n\n\n\n<p>O Pr\u00edncipe Regente, com tudo, permitiu-se por um momento esquecer-se de que no estado presente da Europa n\u00e3o se podia sofrer que pa\u00eds algum fosse impunemente inimigo da Inglaterra; e que, por mais que Sua Majestade pudesse estar inclinado a dar descontos \u00e0 falta de meios que Portugal tinha para resistir ao poder da Fran\u00e7a, com tudo, nem a Sua Dignidade, nem os Interesses do Seu Povo, permitiriam a Sua Majestade aceitar esta desculpa para conceder toda a plena extens\u00e3o de peti\u00e7\u00f5es sem fundamento. Aos 8 do corrente, foi Sua Alteza Real induzido a assinar uma ordem para a deten\u00e7\u00e3o de alguns s\u00faditos brit\u00e2nicos e da inconsider\u00e1vel por\u00e7\u00e3o de propriedade brit\u00e2nica que ainda existia em Lisboa. Ao publicar-se esta ordem, eu fiz retirar as Armas de Inglaterra que se achavam nas portas da minha resid\u00eancia, pedi os meus passaportes, apresentei a minha Representa\u00e7\u00e3o final contra o procedimento que acabava de praticar a Corte de Lisboa e dirigi-me para a esquadra comandada pelo Cavaleiro Sidney Smith, que chegou \u00e0 costa de Portugal alguns dias depois de eu ter recebido os meus passaportes, e com quem me ajuntei aos dezessete do corrente.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sugeri imediatamente ao Cavaleiro Sidney Smith a utilidade de estabelecer um bloqueio o mais rigoroso \u00e0 entrada do Tejo; e tive depois a satisfa\u00e7\u00e3o de achar que tinha nisso antecipado as inten\u00e7\u00f5es de Sua Majestade, pois os vossos despachos (que recebi pelo Mensageiro Silvester, aos 23) ordenavam-me que autorizasse esta medida, no caso em que o Governo Portugu\u00eas ultrapassasse os limites que Sua Majestade tinha julgado conveniente p\u00f4r \u00e0 sua benignidade, e tentasse dar algum passo ulterior que fosse injurioso \u00e0 Honra ou Interesses da Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes despachos foram ditados na suposi\u00e7\u00e3o de que eu ainda me achasse em Lisboa; e ainda que eu os n\u00e3o recebi sen\u00e3o depois de ter efetivamente partido daquela Corte, contudo, considerando maduramente a teoria das vossas instru\u00e7\u00f5es, pensei que seria justo obrar como se tal n\u00e3o tivesse acontecido. Resolvi, portanto, passar a examinar imediatamente o efeito que tinha produzido o bloqueio de Lisboa, e propor ao Governo Portugu\u00eas, como \u00fanica condi\u00e7\u00e3o debaixo da qual cessaria o bloqueio, a alternativa (por v\u00f3s estabelecida) ou de entregar a esquadra a Sua Majestade ou de a empregar imediatamente em transportar o Pr\u00edncipe Regente e a Sua Fam\u00edlia para o Brasil. Eu tomei sobre mim a responsabilidade de renovar as negocia\u00e7\u00f5es, depois de haver cessado atualmente as minhas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, por estar convencido de que, n\u00e3o obstante ser a determina\u00e7\u00e3o fixa de Sua Majestade de n\u00e3o sofrer que a esquadra de Portugal ca\u00edsse nas m\u00e3os de seus inimigos, contudo o primeiro objetivo de Sua Majestade continuava a ser o mesmo de aplicar esta esquadra para o fim origin\u00e1rio de salvar a Real Fam\u00edlia de Bragan\u00e7a da tirania da Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Consequentemente, requeri uma audi\u00eancia do Pr\u00edncipe Regente, e juntamente seguran\u00e7as de prote\u00e7\u00e3o e salvo-conduto; e, havendo recebido a resposta de Sua Alteza Real, parti para Lisboa aos 27, no Navio de Sua Majestade Confiance, que levava bandeira parlamentar. Tive imediatamente as mais interessantes comunica\u00e7\u00f5es com a Corte de Lisboa, os pormenores das quais ser\u00e3o plenamente desenvolvidos em outra carta. Bastar\u00e1 lembrar aqui que o Pr\u00edncipe Regente sabiamente dirigiu todas as suas apreens\u00f5es para um Ex\u00e9rcito franc\u00eas e todas as suas esperan\u00e7as para uma Esquadra Inglesa; que ele recebeu de mim as mais expressas seguran\u00e7as de que Sua Majestade generosamente disfar\u00e7aria estes atos de moment\u00e2nea e constrangida hostilidade, para que se tinha extorquido o consentimento de Sua Alteza Real; e que eu prometi \u00e0 Sua Alteza Real, pela F\u00e9 do meu Soberano, que a esquadra brit\u00e2nica na boca do Tejo seria empregada em proteger a sua retirada de Lisboa e viagem para o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem se publicou um Decreto, no qual o Pr\u00edncipe Regente anunciou a sua inten\u00e7\u00e3o de retirar-se para a cidade do Rio de Janeiro, at\u00e9 a conclus\u00e3o da paz, e de nomear uma Reg\u00eancia para ter a administra\u00e7\u00e3o do Governo em Lisboa durante a sua aus\u00eancia da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta manh\u00e3 a Esquadra Portuguesa largou do Tejo. Eu tive a honra de acompanhar o Pr\u00edncipe na sua passagem da barra. A esquadra consistia de oito Navios de linha, quatro Fragatas, v\u00e1rios Brigues armados e grande n\u00famero de Navios do Brasil, montando tudo, segundo penso, a trinta e seis velas por todas. Eles passaram pela Esquadra Brit\u00e2nica, e os navios de Sua Majestade salvaram com vinte e uma pe\u00e7as, o que foi respondido com igual n\u00famero. Raras vezes se tem observado um espet\u00e1culo mais interessante do que a uni\u00e3o das duas Esquadras.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixando o navio do Pr\u00edncipe Regente, fui para bordo da Hibernia, mas voltei imediatamente acompanhado do Cavaleiro Sidney Smith, que eu apresentei ao Pr\u00edncipe e foi recebido por Sua Alteza Real com sinais da mais af\u00e1vel benevol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho a honra de incluir listas dos Navios de guerra que se sabia terem largado de Lisboa esta manh\u00e3 e que h\u00e1 poucas horas estavam \u00e0 vista. Ficam em Lisboa quatro Navios de linha e o mesmo n\u00famero de Fragatas, por\u00e9m s\u00f3 um de cada qualidade est\u00e1 capaz de servir.<\/p>\n\n\n\n<p>Julguei que n\u00e3o devia perder tempo em comunicar ao Governo de Sua Majestade a importante novidade conhecida neste despacho; tenho, portanto, de rogar que me desculpe a pressa e imperfei\u00e7\u00e3o com que esta escrevo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho a honra de ser, &amp;c.<\/p>\n\n\n\n<p>STRANGFORD.<\/p>\n\n\n\n<p>Secretaria do Almirantado, 31 de Dezembro de 1807.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e1bado passado se receberam nesta Secretaria despachos, de que se extraem as c\u00f3pias seguintes; foram trazidos pelo Capit\u00e3o Yeo, da chalupa de Sua Majestade Confiance; enviados pelo Chefe de Esquadra, o Cavaleiro Sidney Smith; dirigidos ao Honrado Guilherme Wellesly Pole.<\/p>\n\n\n\n<p>Navio de Sua Majestade H\u00edbernia, 11 l\u00e9guas Oeste do Tejo, 1 de Dezembro de 1807.<\/p>\n\n\n\n<p>SENHOR,<\/p>\n\n\n\n<p>Em um despacho datado de 22 de Novembro com um post scriptum de 26, mandei-vos, para informa\u00e7\u00e3o dos My Lords Commiss\u00e1rios do Almirantado, as provas contidas em v\u00e1rios documentos de que o Governo Portugu\u00eas estava t\u00e3o aterrado pelas armas francesas que chegou a acquiescer a certos peti\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a contra a Gr\u00e3-Bretanha. A distribui\u00e7\u00e3o das for\u00e7as portuguesas estava feita somente pelas costas; ao mesmo tempo que a parte de terra ficou inteiramente sem guarda. Os vassalos brit\u00e2nicos de todas as classes foram detidos; e portanto veio a ser absolutamente necess\u00e1rio informar o Governo Portugu\u00eas de que estava chegado o caso em que, em obedi\u00eancia \u00e0s minhas instru\u00e7\u00f5es, devia declarar o Tejo em estado de bloqueio: e havendo Lord Strangford concordado comigo de que as hostilidades se deviam repelir com hostilidades, comecei o bloqueio; e as instru\u00e7\u00f5es que recebemos foram postas em pr\u00e1tica em toda a sua extens\u00e3o; n\u00e3o perdendo, por\u00e9m, nunca de vista a lembran\u00e7a do primeiro objeto adotado pelo Governo de Sua Majestade de abrir um ref\u00fagio ao Chefe do Governo Portugu\u00eas, amea\u00e7ado como ele estava por um bra\u00e7o poderoso e pela pestilente influ\u00eancia do inimigo. Julguei que era do meu dever adotar os meios que se nos franqueavam para trabalhar em persuadir o Pr\u00edncipe Regente de Portugal a reconsiderar a decis\u00e3o de se unir com o Continente da Europa e a lembrar-se de que tinha possess\u00f5es no continente da Am\u00e9rica, que oferecem uma ampla compensa\u00e7\u00e3o por qualquer sacrif\u00edcio que ele pudesse aqui fazer, e de que seria cortado pela natureza da guerra mar\u00edtima, cujo fim n\u00e3o se podia decidir pela combina\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias continentais da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com estas vistas, logo que o Lord Strangford recebeu o consentimento \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos feito, de poder Sua Senhoria desembarcar e conferir com o Pr\u00edncipe Regente, debaixo da seguran\u00e7a de uma bandeira parlamentar; eu dei a Sua Senhoria a conduta e seguran\u00e7a necess\u00e1rias, em ordem a poder dar ao Pr\u00edncipe seguros de que a sua Palavra de Honra, como Ministro Plenipotenci\u00e1rio de Sua Majestade, unido com um Almirante Brit\u00e2nico, n\u00e3o podia deixar de inspirar, persuadindo a Sua Alteza Real a lan\u00e7ar-se, com a sua esquadra, nos bra\u00e7os da Gr\u00e3-Bretanha, descansando confiadamente em que Sua Majestade disfar\u00e7aria um ato for\u00e7ado de hostilidade aparente contra a sua bandeira e s\u00faditos, e estabelecer o Governo de Sua Alteza Real nos seus dom\u00ednios ultramarinos, como tinha originariamente prometido.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora tenho a cordial satisfa\u00e7\u00e3o de vos anunciar que as nossas esperan\u00e7as e expectativas se realizaram na sua maior extens\u00e3o. Na manh\u00e3 de 29, a esquadra portuguesa (nomeada na lista junta) saiu do Tejo, com Sua Alteza Real o Pr\u00edncipe do Brasil e toda a Real Fam\u00edlia de Bragan\u00e7a a bordo, juntamente com muitos de seus fi\u00e9is conselheiros e aderentes, assim como outras pessoas que seguiam a sua atual fortuna.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa esquadra de oito navios de linha, quatro fragatas, dois brigueiros e uma escuna, com uma multid\u00e3o de grandes navios mercantes armados, se arranjaram debaixo da prote\u00e7\u00e3o da esquadra de Sua Majestade, e o fogo de uma salva rec\u00edproca de vinte e uma pe\u00e7as anunciou o amig\u00e1vel encontro destes, que, no dia antecedente, estavam em termos de hostilidade; a cena infundiu em todos os expectadores (exceto no ex\u00e9rcito dos franceses que estava sobre os mont\u00e9iros) os mais vivos sentimentos de gratid\u00e3o \u00e0 Provid\u00eancia, pois ainda existe um Poder no Mundo que pode e deseja proteger os oprimidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho a honra de ser, &amp;c.<\/p>\n\n\n\n<p>GUILHERME SIDNEY SMITH.<\/p>\n\n\n\n<p>Lista da Esquadra Portuguesa que saiu do Tejo aos 28 de Novembro de 1807<\/p>\n\n\n\n<p>Navios de Linha:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Pr\u00edncipe Real, de 64 pe\u00e7as<br>\u2022 Rainha de Portugal, de 74 pe\u00e7as<br>\u2022 Conde D. Henrique, de 74 pe\u00e7as<br>\u2022 D. Jo\u00e3o de Castro, de 74 pe\u00e7as<br>\u2022 Martim de Freitas, de 64 pe\u00e7as<br>\u2022 Affonso d&#8217;Albuquerque, de 64 pe\u00e7as<br>\u2022 Pr\u00edncipe do Brasil, de 74 pe\u00e7as<br>\u2022 Medusa, de 74 pe\u00e7as<\/p>\n\n\n\n<p>Fragatas:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Minerva, de 44 pe\u00e7as<br>\u2022 Urania, de 32 pe\u00e7as<br>\u2022 Golfinho, de 36 pe\u00e7as<br>\u2022 Outra fragata, cujo nome n\u00e3o se sabe<\/p>\n\n\n\n<p>Brigues:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Voador, de 22 pe\u00e7as<br>\u2022 Lebre, de 18 pe\u00e7as<br>\u2022 Vingan\u00e7a, de 20 pe\u00e7as<\/p>\n\n\n\n<p>Escunas:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Curiosa, de 12 pe\u00e7as<\/p>\n\n\n\n<p>(Assinado)<br>Joaquim Jos\u00e9 Monteiro Torres<br>Major-General<\/p>\n\n\n\n<p>(C\u00f3pia)<br>G. SIDNEY SMITH<\/p>\n\n\n\n<p>Navio de S. M. Hibernia, 22 L\u00e9guas Oeste do Tejo, 1 de Dezembro, 1807<\/p>\n\n\n\n<p>SENHOR,<\/p>\n\n\n\n<p>Em outro despacho datado de hoje, remeti uma lista da esquadra portuguesa que saiu do Tejo a 29 de Novembro, a qual recebi naquele dia das m\u00e3os do Almirante que a comandava, quando fui a bordo do Pr\u00edncipe Real para fazer minha visita de respeito e felicitar Sua Alteza Real, que se encontrava embarcado naquela nau. Incluo agora a lista dos navios que ficaram. Os portugueses lamentam ter deixado um dos quatro navios, o Vasco da Gama, que estava em concerto; empregaram sua artilharia para armar o Freitas, que \u00e9 um navio novo de 64 pe\u00e7as e um dos que saiu com o Pr\u00edncipe. Os outros eram navios meramente cascos velhos. H\u00e1 tamb\u00e9m um navio nos estaleiros, o Pr\u00edncipe Regente, que estava apenas em carenagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O Pr\u00edncipe expressou tudo quanto podia ditar o sentimento de mais cordial gratid\u00e3o e confian\u00e7a a respeito de S. M. e da Na\u00e7\u00e3o Brit\u00e2nica. Eu determinei, devido ao tempo n\u00e3o permitir outro modo de comunica\u00e7\u00e3o, que o Capit\u00e3o Moore, no Malborough, com o London, Monarch e Bedford, estivessem juntos \u00e0 esquadra portuguesa, dando-lhe todo o aux\u00edlio necess\u00e1rio. Continuo com a Hibernia junto ao navio do Pr\u00edncipe, e n\u00e3o pude ainda mandar o Foudroyant, Plantagenet e Conqueror para o Almirante Purvis, conforme as ordens de 14 de Novembro, o que espero n\u00e3o seja grande inconveniente para o bloqueio de C\u00e1diz, pois parece que esses navios foram enviados para ali na suposi\u00e7\u00e3o de que os russos estariam no Estreito, antes de se saber que eles estavam na minha situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho a honra de ser, &amp;c.<\/p>\n\n\n\n<p>G. SIDNEY SMITH<\/p>\n\n\n\n<p>Lista dos Navios Portugueses que Ficaram em Lisboa:<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e1us de Linha:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>S\u00e3o Sebasti\u00e3o de 64 pe\u00e7as \u2014 incapaz de servi\u00e7o sem total concerto.\nMaria Primeira de 74 pe\u00e7as \u2014 incapaz de servir; e mandada armar em bateria flutuante, mas ainda n\u00e3o armada.\nPrincesa da Beira de 64 pe\u00e7as \u2014 condenada; e mandada armar como bateria flutuante.\nVasco da Gama de 74 pe\u00e7as \u2014 em concerto, quase pronto.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>Fragatas:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>Feniza de 48 pe\u00e7as \u2014 precisa de concerto total.\nAmazona de 44 pe\u00e7as \u2014 precisa de concerto total.\nP\u00e9rola de 44 pe\u00e7as \u2014 precisa de concerto total.\nTrit\u00e3o de 40 pe\u00e7as \u2014 n\u00e3o admite concerto.\nV\u00eanus de 30 pe\u00e7as \u2014 n\u00e3o admite concerto.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>Brigues:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>Voador de 22 pe\u00e7as.\nLebre de 18 pe\u00e7as.\nVingan\u00e7a de 20 pe\u00e7as.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>Escunas:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>Curiosa de 12 pe\u00e7as.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>(Assinado)<br>JOAQUIM JOS\u00c9 MONTEIRO TORRES<br>Major-general<\/p>\n\n\n\n<p>(C\u00f3pia)<br>G. SIDNEY SMITH<\/p>\n\n\n\n<p>Navio de S. M. Hibernia, 6 de Dezembro, 1807<\/p>\n\n\n\n<p>SENHOR,<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho a satisfa\u00e7\u00e3o de vos fazer saber, para informa\u00e7\u00e3o dos My Lords Commiss\u00e1rios do Almirantado, que alcancei poder ajuntar toda a esquadra portuguesa, exceto um brigue, depois da tempestade. O tempo estava tal que nos permitiu efetuar os concertos necess\u00e1rios e fazer uma tal distribui\u00e7\u00e3o dos supranumer\u00e1rios e socorros, que habilitamos ao Vice-Almirante D. Manuel da Cunha Sotto Mayor a dar-me parte ontem de que todos os navios estavam capazes de fazer a viagem para o Rio de Janeiro, exceto uma nau de linha, que ele rogava fosse conduzida a um porto de Inglaterra. Eu fa\u00e7o ten\u00e7\u00e3o de a escoltar parte do caminho; mas a esquadra n\u00e3o deixou a noite passada comigo, como t\u00ednhamos ajustado. Espero, contudo, que este navio possa chegar a salvo, pois n\u00e3o est\u00e1 em mau estado e foi substitu\u00eddo por Martim de Freitas, que estava no princ\u00edpio destinado para ir para Inglaterra, em consequ\u00eancia de um novo arranjo feito ontem, por se achar este em melhor estado para fazer viagem do que o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho destacado o Capit\u00e3o Moore, no Malborough, com o London, Monarch, e Bedford, para seguir a esquadra portuguesa ao Brasil. Julguei ser do meu dever, al\u00e9m da ordem usual, para tomar os sobreditos navios sob suas ordens, uma ordem para arvorar bandeira larga depois de passar a Madeira, e isto para dar maior peso e consequ\u00eancia \u00e0 execu\u00e7\u00e3o das importantes e delicadas obriga\u00e7\u00f5es de que o tenho encarregado.<\/p>\n\n\n\n<p>Fico perfeitamente descansado no ju\u00edzo deste oficial, e na sua habilidade e zelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os navios portugueses, depois de concertados, n\u00e3o precisavam que lhes d\u00e9ssemos mais mantimentos e bebidas ordin\u00e1rias, al\u00e9m das mencionadas na lista inclusa, que eu suprimi deste navio e do Conqueror.<\/p>\n\n\n\n<p>Este despacho ser\u00e1 entregue pelo Capit\u00e3o Yeo, da chalupa de S. M. Confiance, o qual mostrou grande zelo e sagacidade em abrir a comunica\u00e7\u00e3o pela bandeira parlamentar, enfrentando resist\u00eancia de pessoas poderosas que eram contra a medida da emigra\u00e7\u00e3o. Lord Strangford falou do seu comportamento em termos da mais viva aprova\u00e7\u00e3o. Com este fundamento pe\u00e7o licen\u00e7a para recomendar a Vossas Senhorias o Capit\u00e3o Yeo, cujo merecimento, em geral, como oficial, j\u00e1 \u00e9 muito bem conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo ficado em Lisboa sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o na sua liberdade durante a comunica\u00e7\u00e3o, ele se acha em estado de poder responder a Vossas Senhorias quaisquer perguntas que desejarem fazer-lhe.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho a honra de ser, &amp;c.<\/p>\n\n\n\n<p>G. SIDNEY SMITH<\/p>\n\n\n\n<p>Lista dos Navios Portugueses que Ficaram em Lisboa:<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e1us de Linha:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>S\u00e3o Sebasti\u00e3o de 64 pe\u00e7as \u2014 incapaz de servi\u00e7o sem total concerto.\nMaria Primeira de 74 pe\u00e7as \u2014 incapaz de servir; e mandada armar em bateria flutuante, mas ainda n\u00e3o armada.\nPrincesa da Beira de 64 pe\u00e7as \u2014 condenada; e mandada armar como bateria flutuante.\nVasco da Gama de 74 pe\u00e7as \u2014 em concerto, quase pronto.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>Fragatas:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>Feniza de 48 pe\u00e7as \u2014 precisa de concerto total.\nAmazona de 44 pe\u00e7as \u2014 precisa de concerto total.\nP\u00e9rola de 44 pe\u00e7as \u2014 precisa de concerto total.\nTrit\u00e3o de 40 pe\u00e7as \u2014 n\u00e3o admite concerto.\nV\u00eanus de 30 pe\u00e7as \u2014 n\u00e3o admite concerto.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>Brigues:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>Voador de 22 pe\u00e7as.\nLebre de 18 pe\u00e7as.\nVingan\u00e7a de 20 pe\u00e7as.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>Escunas:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>Curiosa de 12 pe\u00e7as.<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>(Assinado)<br>JOAQUIM JOS\u00c9 MONTEIRO TORRES<br>Major-general<\/p>\n\n\n\n<p>(C\u00f3pia)<br>G. SIDNEY SMITH<\/p>\n\n\n\n<p>Navio de S. M. Hibernia, 6 de Dezembro, 1807<\/p>\n\n\n\n<p>SENHOR,<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho a satisfa\u00e7\u00e3o de vos fazer saber, para informa\u00e7\u00e3o dos My Lords Commiss\u00e1rios do Almirantado, que alcancei poder ajuntar toda a esquadra portuguesa, exceto um brigue, depois da tempestade. O tempo estava tal que nos permitiu efetuar os concertos necess\u00e1rios e fazer uma tal distribui\u00e7\u00e3o dos supranumer\u00e1rios e socorros, que habilitamos ao Vice-Almirante D. Manuel da Cunha Sotto Mayor a dar-me parte ontem de que todos os navios estavam capazes de fazer a viagem para o Rio de Janeiro, exceto uma nau de linha, que ele rogava fosse conduzida a um porto de Inglaterra. Eu fa\u00e7o ten\u00e7\u00e3o de a escoltar parte do caminho; mas a esquadra n\u00e3o deixou a noite passada comigo, como t\u00ednhamos ajustado. Espero, contudo, que este navio possa chegar a salvo, pois n\u00e3o est\u00e1 em mau estado e foi substitu\u00eddo por Martim de Freitas, que estava no princ\u00edpio destinado para ir para Inglaterra, em consequ\u00eancia de um novo arranjo feito ontem, por se achar este em melhor estado para fazer viagem do que o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho destacado o Capit\u00e3o Moore, no Malborough, com o London, Monarch, e Bedford, para seguir a esquadra portuguesa ao Brasil. Julguei ser do meu dever, al\u00e9m da ordem usual, para tomar os sobreditos navios sob suas ordens, uma ordem para arvorar bandeira larga depois de passar a Madeira, e isto para dar maior peso e consequ\u00eancia \u00e0 execu\u00e7\u00e3o das importantes e delicadas obriga\u00e7\u00f5es de que o tenho encarregado.<\/p>\n\n\n\n<p>Fico perfeitamente descansado no ju\u00edzo deste oficial, e na sua habilidade e zelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os navios portugueses, depois de concertados, n\u00e3o precisavam que lhes d\u00e9ssemos mais mantimentos e bebidas ordin\u00e1rias, al\u00e9m das mencionadas na lista inclusa, que eu suprimi deste navio e do Conqueror.<\/p>\n\n\n\n<p>Este despacho ser\u00e1 entregue pelo Capit\u00e3o Yeo, da chalupa de S. M. Confiance, o qual mostrou grande zelo e sagacidade em abrir a comunica\u00e7\u00e3o pela bandeira parlamentar, enfrentando resist\u00eancia de pessoas poderosas que eram contra a medida da emigra\u00e7\u00e3o. Lord Strangford falou do seu comportamento em termos da mais viva aprova\u00e7\u00e3o. Com este fundamento pe\u00e7o licen\u00e7a para recomendar a Vossas Senhorias o Capit\u00e3o Yeo, cujo merecimento, em geral, como oficial, j\u00e1 \u00e9 muito bem conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo ficado em Lisboa sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o na sua liberdade durante a comunica\u00e7\u00e3o, ele se acha em estado de poder responder a Vossas Senhorias quaisquer perguntas que desejarem fazer-lhe.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho a honra de ser, &amp;c.<\/p>\n\n\n\n<p>G. SIDNEY SMITH<\/p>\n\n\n\n<p>(Continuar-se-\u00e1.)<\/p>\n\n\n\n<p>Como neste artigo das Ci\u00eancias se h\u00e1 de dar conta das mais importantes obras que se publicarem; pede-se que se preste uma aten\u00e7\u00e3o particular \u00e0s obras que se publicam em portugu\u00eas; o que farei de tanto melhor vontade, porque conhecendo o atual estado da literatura portuguesa, n\u00e3o espero que esta reparti\u00e7\u00e3o me ocupe muito tempo, nem me cause grande despesa no papel.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho por\u00e9m de come\u00e7ar a minha tarefa com uma miser\u00e1vel produ\u00e7\u00e3o an\u00f3nima, que, pelo t\u00edtulo e mat\u00e9ria, d\u00e1 bem a conhecer que \u00e9 obra mandada fazer pelo Governo Franc\u00eas. \u00c9 esta um folheto em 8\u00ba de 13 p\u00e1ginas, intitulado\u2014Not\u00edcia Hist\u00f3rica do Estado atual da Inglaterra neste ano de 1808. Lisboa, na Impress\u00e3o de Bernardo Jos\u00e9 Alcobia. Com Licen\u00e7a da Mesa do Desembargo do Pa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho, \u00e9 verdade, n\u00e3o em muito elevado conceito a literatura portuguesa dos nossos tempos, nem era de esperar outra coisa com as constantes persegui\u00e7\u00f5es que naquele pa\u00eds sofrem os homens de letras, mas faria aos portugueses uma grande injusti\u00e7a, e obraria contra os meus sentimentos, se n\u00e3o declarasse altamente que conhe\u00e7o muitas pessoas em Portugal que, se houvessem empreendido esta obra, a fariam, ao menos em especiosos argumentos, infinitamente superior ao que ela \u00e9. Por\u00e9m, daqui tiro tamb\u00e9m uma conclus\u00e3o que me d\u00e1 muito prazer, e \u00e9 que os homens capazes de empreender isto n\u00e3o quiseram emprestar a sua pena para servir os tiranos que os oprimem; e que Junot s\u00f3 p\u00f4de achar para isto um homem que, escrevendo contra os interesses de sua P\u00e1tria, mostra ao mesmo tempo a sua extrema ignor\u00e2ncia dos neg\u00f3cios p\u00fablicos da Europa e a vileza de sua alma em servir aos seus opressores.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7a o folheto por este ex\u00f3rdio: &#8220;Julgando n\u00f3s muito interessante dar uma ideia, ou not\u00edcia hist\u00f3rica do presente estado da Inglaterra, para deste modo se instru\u00edrem os curiosos e servir de desengano a muitas pessoas pouco instru\u00eddas da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e comercial dos ingleses, intentamos desde logo apresentar ao p\u00fablico a presente breve Not\u00edcia Hist\u00f3rica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Julgando N\u00f3s,&#8221; diz o folheto; porque seu autor n\u00e3o soube nem sequer disfar\u00e7ar que isto era obra do Governo Franc\u00eas. Aquele &#8220;N\u00f3s&#8221;, nem \u00e9 boa frase portuguesa, nem \u00e9 a express\u00e3o de que um escritor portugu\u00eas se serviria, a menos que n\u00e3o fossem muitos os autores; e daqui se pode logo concluir que \u00e9 obra do Governo Franc\u00eas. Isto declara melhor o par\u00e1grafo, quando diz que, &#8220;intentamos desde logo, Sic.&#8221; Pergunto: a que se refere aquele &#8220;logo&#8221;? Logo que entramos em Lisboa. Logo tamb\u00e9m se tira que s\u00e3o os franceses quem falta. Mas deixando estes descuidos do autor, entremos na mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O folheto continua:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Inglaterra cont\u00e9m perto de onze milh\u00f5es de habitantes, dos quais mais de um milh\u00e3o s\u00e3o artistas e fabricantes. O seu ex\u00e9rcito n\u00e3o chega a 100.000 homens, e a sua marinha militar, posto constar de um grande n\u00famero de vasos, tem muitos desarmados por falta de marujos, e outros navios por impossibilitados de servirem. A d\u00edvida do Estado \u00e9 imensa e quase imposs\u00edvel de redimir-se, pois somente os juros deitam j\u00e1 a muitos milh\u00f5es de esterlinas. A sua moeda papel perde consideravelmente, e tal \u00e9 a desconfian\u00e7a p\u00fablica que padecem igual perda at\u00e9 os bilhetes-dinheiro do Tesouro P\u00fablico. As alf\u00e2ndegas est\u00e3o quase fechadas por falta de com\u00e9rcio com as na\u00e7\u00f5es europeias, e mais de um milh\u00e3o de artistas e fabricantes est\u00e3o arruinados e sem trabalho algum, pedindo publicamente a paz e a reconcilia\u00e7\u00e3o com as pot\u00eancias do continente. Desde que a Inglaterra fez a empresa contra a Dinamarca, tem conseguido esta na\u00e7\u00e3o inimizar-se com todas as na\u00e7\u00f5es europeias, fazendo declarar-se inimigas algumas que n\u00e3o o seriam se n\u00e3o estivessem capacitadas do atual sistema da Inglaterra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os erros que este par\u00e1grafo cont\u00e9m s\u00e3o indesculp\u00e1veis; porque as contas aut\u00eanticas que os ministros ingleses t\u00eam apresentado ao Parlamento sobre os artigos de que fala este par\u00e1grafo andam em todas as gazetas; assim, o ignorar isto \u00e9 estupidez sem sa\u00edda. Nem basta dizer que as contas que se t\u00eam dado ao Parlamento n\u00e3o ser\u00e3o assim; porque aquelas s\u00e3o documentos oficiais, extra\u00eddos dos registros p\u00fablicos. E para que se saiba o cr\u00e9dito que tais pap\u00e9is merecem, basta refletir na natureza do governo ingl\u00eas; porque no Parlamento h\u00e1 sempre um grande n\u00famero de membros opostos ao sistema de pol\u00edtica dos ministros, a que se chama o Partido da Oposi\u00e7\u00e3o; estes estimariam achar a menor falsidade nas contas apresentadas pelos ministros de Estado, e eles podem averiguar essas contas, porque o Parlamento tem o direito de nomear comiss\u00f5es de entre seus membros para examinar os registros p\u00fablicos; de maneira que, ainda que os ministros ingleses fossem t\u00e3o faltos de probidade que n\u00e3o tivessem outro motivo para deixar de dar contas falsas ao Parlamento, o temor de serem expostos pelo Partido da Oposi\u00e7\u00e3o seria mais que suficiente raz\u00e3o para n\u00e3o se atreverem a falsificar nenhum documento que apresentassem ao Parlamento: eis o que se l\u00ea nesses documentos oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiramente, a popula\u00e7\u00e3o da Gr\u00e3-Bretanha e Irlanda (sem incluir as suas muitas col\u00f4nias) monta, pela mais baixa estimativa, a dezesseis milh\u00f5es; facto incontest\u00e1vel que s\u00f3 o autor deste folheto se atreve a contradizer, sem nos informar de onde tirou a sua autoridade. E continua dizendo, &#8220;que o ex\u00e9rcito ingl\u00eas n\u00e3o chega a cem mil homens.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Se o autor quisesse ser crido devia citar a sua autoridade; a minha s\u00e3o, como dito fica, as contas oficiais apresentadas \u00e0 C\u00e2mara dos Comuns aos 8 de Mar\u00e7o, pelas quais se v\u00ea que a for\u00e7a efetiva do ex\u00e9rcito ingl\u00eas em soldados e oficiais era, aos 8 de Fevereiro de 1808, a seguinte:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>                               Artilharia \u2014 24.731<\/code><\/pre>\n\n\n\n<p>Tropas Regulares \u2014 Cavalaria \u2014 26.520<br>Infantaria \u2014 178.096<br>Total 229.596<\/p>\n\n\n\n<p>Mil\u00edcia arregimentada \u2014 77.164<br>Cavalaria \u2014 25.023<br>Infantaria \u2014 261.821<br>Artilharia \u2014 2.825<br>Total \u2014 602.429<\/p>\n\n\n\n<p>Isto s\u00e3o todas for\u00e7as efetivas, disciplinadas e entusi\u00e1sticas por defender o seu Rei, a sua P\u00e1tria e as suas Liberdades, n\u00e3o hesito em diz\u00ea-lo, mais do que nenhuma outra na\u00e7\u00e3o na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>O erro a respeito da marinha de guerra brit\u00e2nica \u00e9 ainda mais grosseiro; porque at\u00e9 os grumetes ingleses leem as contas mensais que se publicam sobre a sua esquadra; s\u00e3o pap\u00e9is estes que andam pelas m\u00e3os de todos, e a publicidade desses documentos e suas provas \u00e9 tal que ningu\u00e9m deixa de conhecer a sua autenticidade. Eis aqui o estado atual da marinha de guerra de Inglaterra, pronta e em atual servi\u00e7o, no 1\u00ba de Junho de 1808.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e1us de linha \u2014 154<br>Fragatas \u2014 26<br>Chalupas \u2014 174<br>Bergantins armados \u2014 229<br>Total \u2014 800<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, portanto, n\u00e3o se enumeram os que est\u00e3o a concertar-se, os que servem de pris\u00f5es e hospitais, os que est\u00e3o nos estaleiros, etc., s\u00f3 se trata dos que est\u00e3o prontos em servi\u00e7o; e com tudo isso, tem o autor deste folheto cara para dizer que a marinha inglesa, embora conste de muitos navios, com tudo, muitos est\u00e3o incapazes de servir, e outros n\u00e3o t\u00eam marujos para equipar. Salvo se o autor ou autores deste folheto assentam que 800 vasos em servi\u00e7o atual \u00e9 nada. Pois quanto a mim, eu assento que \u00e9 muito, e mais do que na\u00e7\u00e3o alguma no mundo jamais teve, e mais quatro vezes do que podem ter todas as na\u00e7\u00f5es da Europa tomadas conjuntamente: e se n\u00e3o, que me deem os autores prova do contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz o folheto que a d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 imensa e quase imposs\u00edvel de redimir-se; imensa, \u00e9 falso no rigor da palavra, porque tem medida, \u00e9 mensur\u00e1vel, e sabe-se at\u00e9 que ponto chega; irredim\u00edvel, n\u00e3o entendo; porque n\u00e3o \u00e9 palavra portuguesa; mas supondo que o autor quis dizer que n\u00e3o se pode remir ou resgatar, diz uma completa falsidade; porque se pode remir, e est\u00e1 calculado em quantos anos e como, etc. Demais, o autor produz asser\u00e7\u00f5es vagas sem dizer quanto, e s\u00f3 afirma que os juros importam em muitos milh\u00f5es, assustando o leitor com a quantidade indeterminada de muitos milh\u00f5es, mas n\u00e3o \u00e9 assim que se argumenta; em mat\u00e9ria de fato, devia especificar as quantidades e citar-nos a sua autoridade.<br>A d\u00edvida p\u00fablica da Gr\u00e3-Bretanha, no 1.\u00ba de Fevereiro de 1808 (segundo os Documentos aut\u00eanticos apresentados \u00e0 casa dos Comuns em 24 de Mar\u00e7o)<br>chegava a 536.776.026 libras esterlinas.<br>A d\u00edvida, que naquele per\u00edodo se tinha j\u00e1 remido, era de 150.913.931 libras esterlinas.<br>E a soma da d\u00edvida p\u00fablica remida, s\u00f3 no ano passado, era de 14.367.000 libras esterlinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto posto, tomara que o autor explicasse ao mundo o que entende ele quando diz que a d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 quase irremedi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a express\u00e3o que se segue a essa \u00e9 tal que sup\u00f5e uma grande dose de descaramento para a proferir, ou ali\u00e1s, sup\u00f5e que o autor reputa os seus leitores ignorantes da primeira classe; porque todo o viajante que tem estado em Inglaterra sabe que o papel moeda, ou (como os ingleses lhe chamam) as notas de banco, \u00e9 sempre recebido, sem a menor repugn\u00e2ncia, como se fosse ouro, e muitas vezes \u00e9 preferido ao mesmo ouro, pela comodidade de transportar-se; pela facilidade de recobrar-se se se perde, havendo-se registrado o n\u00famero; pela maior dificuldade de o falsificar, pois a sua falsidade \u00e9 de mais f\u00e1cil percep\u00e7\u00e3o do que a do dinheiro met\u00e1lico; e por outros motivos. E, n\u00e3o obstante este testemunho universal do mundo inteiro, h\u00e1 quem se atreva a dizer que o papel moeda em Inglaterra perde do seu valor!<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o autor diz que os bilhetes-dinheiro do Tesouro p\u00fablico (julgo que entende por isto Exchequer bills) padecem igual perda, parece mais correto, pois estes bilhetes, longe de perderem, ningu\u00e9m os pode ter sem dar por eles, al\u00e9m do seu valor intr\u00ednseco, um pr\u00eamio, de tantos por cento sobre o valor origin\u00e1rio. Para isto escuso de citar outra autoridade sen\u00e3o a dos pre\u00e7os correntes, que v\u00eam em todos os pap\u00e9is de novidades, onde, entre outros artigos, se acha o pr\u00eamio por que correm estes bilhetes, e isto \u00e9 coisa que nenhuma pessoa que tem estado em Londres pode ignorar, e nos pa\u00edses estrangeiros pode saber quem quiser ler as gazetas, ou as listas dos pre\u00e7os correntes que se imprimem em Londres para uso dos negociantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o que mostra melhor o grande cr\u00e9dito que tem o Governo de Inglaterra a este respeito \u00e9 a facilidade com que ele obt\u00e9m dinheiros de empr\u00e9stimo, sempre que o precisa: a falar a verdade, os particulares andam \u00e0 rebate de quem emprestar\u00e1 dinheiro quando se faz p\u00fablico que o Governo tem de pedir empr\u00e9stimos; e para evitar os empenhos que nisto poder\u00e1 haver, se tem estabelecido um plano de receber o empr\u00e9stimo daquele que ofere\u00e7a dar o dinheiro com menor juro; os lan\u00e7os recebem-se em carta fechada e selada, para se abrirem todas as cartas ao mesmo tempo, no Conselho da Fazenda; e aquele que oferece por menos, esse \u00e9 quem o Governo aceita.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo dinheiro que o Governo pediu emprestado foram 14.500.000 libras esterlinas, que se ajustaram por contrato, pagando-se o juro de quatro libras, quatorze xelins e seis pence por ano, por cada cem libras esterlinas; e este juro \u00e9 mais baixo do que j\u00e1 mais o Governo ingl\u00eas pagou, durante a guerra atual ou durante as guerras passadas; e se isto n\u00e3o prova uma grande confian\u00e7a que o povo ingl\u00eas tem no seu Governo, nada pode servir de prova.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez me dir\u00e3o que Bonaparte ajuntou quarenta milh\u00f5es de cruzados em Portugal sem pagar juros, nem prometer pagar o principal. Concedo, esse empr\u00e9stimo sai um pouco mais barato que este do Governo ingl\u00eas; mas aqui n\u00e3o se poderia obter um empr\u00e9stimo pelo mesmo pre\u00e7o, porque os ingleses n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o polidos e condescendentes como foram, e s\u00e3o as na\u00e7\u00f5es do Continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz mais este par\u00e1grafo do folheto: &#8220;As alf\u00e2ndegas est\u00e3o quase fechadas, por falta de com\u00e9rcio, &amp;c.&#8221; \u00c9 not\u00e1vel que o nosso autor n\u00e3o tenha lido, nos pap\u00e9is de novidades, as listas dos navios e comboios que saem e entram constantemente em todos os portos de Inglaterra; principalmente no porto de Londres; e se tem lido estas listas, s\u00f3 poderia supor que as alf\u00e2ndegas estavam fechadas, na suposi\u00e7\u00e3o de que todos estes navios, que entram e saem, n\u00e3o d\u00e3o entrada, nem pagam direitos nas alf\u00e2ndegas. No que est\u00e1 muito enganado se tal pensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento se acha sobre a mesa na C\u00e2mara dos Comuns um documento aut\u00eantico a este respeito, que mostra bem que as portas da alf\u00e2ndega n\u00e3o t\u00eam estado fechadas por todo este ano passado. \u00c9 este papel oficial a conta das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es da Gr\u00e3-Bretanha no ano de 1807. E o resultado desta conta \u00e9 que as exporta\u00e7\u00f5es do ano passado, comparadas com as dos dois anos precedentes, s\u00e3o como segue:<\/p>\n\n\n\n<p>Valor oficial das exporta\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>1805<br>Manufaturas Inglesas e Estrangeiras: 25.004.337<br>Produ\u00e7\u00f5es Estrangeiras e Coloniais: 9.950.508<br>Total: 34.954.845<\/p>\n\n\n\n<p>1806<br>Manufaturas Inglesas e Estrangeiras: 27.402.685<br>Produ\u00e7\u00f5es Estrangeiras e Coloniais: 9.124.499<br>Total: 36.527.283<\/p>\n\n\n\n<p>1807<br>Manufaturas Inglesas e Estrangeiras: 25.190.762<br>Produ\u00e7\u00f5es Estrangeiras e Coloniais: 9.345.283<br>Total: 34.586.045<\/p>\n\n\n\n<p>Importa\u00e7\u00f5es (sem considerar as importa\u00e7\u00f5es das \u00cdndias Orientais)<\/p>\n\n\n\n<p>1805<br>Importa\u00e7\u00f5es: 24.272.468<\/p>\n\n\n\n<p>1806<br>Importa\u00e7\u00f5es: 26.089.136<\/p>\n\n\n\n<p>1807<br>Importa\u00e7\u00f5es: 25.406.330<br>E com tudo isto h\u00e1 quem se atreva a dizer que as alf\u00e2ndegas est\u00e3o fechadas por falta de com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao diante teremos ocasi\u00e3o de falar sobre o ataque de Copenhague que menciona este par\u00e1grafo; e continuaremos agora com o seguinte: qual o diz que &#8220;Os negociantes ingleses n\u00e3o podem j\u00e1 sustentar correspond\u00eancia com a terra firme, e isto deve causar um grande preju\u00edzo ao com\u00e9rcio ingl\u00eas. As ilhas brit\u00e2nicas separadas do resto da Europa, sem com\u00e9rcio nem rela\u00e7\u00e3o alguma com o Continente, ser\u00e3o semelhantes a um asilo ou recept\u00e1culo de cors\u00e1rios e piratas, e este \u00e9 o \u00fanico meio de que eles podem valer-se nestas cr\u00edticas circunst\u00e2ncias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao diante haver\u00e1 ocasi\u00e3o de mostrar que, n\u00e3o obstante o grande com\u00e9rcio que a Gr\u00e3-Bretanha faz com o Continente da Europa, h\u00e1 outros ramos de tal magnitude que a na\u00e7\u00e3o pode, por longo tempo, sofrer sem detrimento sens\u00edvel a priva\u00e7\u00e3o desse com\u00e9rcio. Aqui s\u00f3 notaremos que a reflex\u00e3o feita sobre a situa\u00e7\u00e3o local das Ilhas Brit\u00e2nicas \u00e9 inteiramente contra o autor; porque \u00e9 justamente a situa\u00e7\u00e3o isolada destes reinos que habilita os ingleses a sustentar a sua independ\u00eancia com moderada despesa de terra, sem o menor susto de sofrer algum ataque atend\u00edvel; ao mesmo tempo que a sua situa\u00e7\u00e3o mar\u00edtima lhe d\u00e1 os meios de fazer aboiar sobre os mares sua numerosa esquadra, com a qual tem debaixo de bloqueio todo o continente: tomarem rid\u00edculo esta vantagem \u00e9 mostrar o autor a fraqueza da causa que defende. A Inglaterra traz cors\u00e1rios no mar, esses n\u00e3o s\u00e3o mais que um mero ap\u00eandice de sua grande esquadra; ao mesmo tempo que a Fran\u00e7a nada mais tem do que cors\u00e1rios que v\u00eam de noite roubar algum navio \u00e0s costas da Inglaterra; e ainda assim se arroja este nosso partidista dos franceses a chamar a Inglaterra na\u00e7\u00e3o de cors\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O dizer que a Inglaterra n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o alguma com o continente \u00e9 um engano de que se curaria o autor se visse aqui em todos os portos da Inglaterra quantidade de navios com bandeira de na\u00e7\u00f5es que, em consequ\u00eancia dos ditames de Bonaparte, t\u00eam declarado guerra \u00e0 Inglaterra; e que em consequ\u00eancia da necessidade que t\u00eam de comerciar para ganhar a vida, aqui v\u00eam a fazer seu neg\u00f3cio; e que os ingleses recebem, em consequ\u00eancia da sua providente ordem, em Conselho, de 25 de Novembro do ano passado, cuja pol\u00edcia n\u00e3o tem Bonaparte podido destruir.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz mais o folheto: &#8220;Os ingleses mesmo dizem tamb\u00e9m nas suas folhas p\u00fablicas: todos os povos civilizados da Europa nos fecham os seus portos, &amp;c.&#8221; \u00c9 pena! por isso aqui n\u00e3o se come nem bebe!<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas estrangeiras que leem algumas declama\u00e7\u00f5es feitas aqui nos pap\u00e9is de novidades, a que chamam da oposi\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o talvez julgar pior deste pa\u00eds do que se lessem os documentos oficiais; mas \u00e9 necess\u00e1rio que se diga que estes fatos, se s\u00e3o assim, em alguns desses pap\u00e9is, mal interpretados, n\u00e3o prov\u00eam sen\u00e3o do desejo que h\u00e1 naturalmente de atacar seus antagonistas em argumentos; porque quanto ao essencial do estado da na\u00e7\u00e3o, todos s\u00e3o conformes; e quanto aos fatos aut\u00eanticos, nenhum papel p\u00fablico se atreveria a neg\u00e1-los sob pena de se fazer ridicul\u00edssimo aos olhos de todos os seus contempor\u00e2neos. Deixando, pois, esses extratos de pap\u00e9is da oposi\u00e7\u00e3o, em que s\u00f3 h\u00e1 ataques personal\u00edssimos contra os ministros e nenhuma mat\u00e9ria de fato, transcreverei o par\u00e1grafo seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se n\u00f3s lan\u00e7armos a vista (diz o folheto) sobre o estado atual da sua marinha de guerra, o mesmo estado da sua grande for\u00e7a e o n\u00famero de vasos que ela tem, este mesmo grande poder h\u00e1 de fazer mais depressa sucumbir a Inglaterra, e julgando ela ser esta a sua maior defesa h\u00e1 de ser a sua principal ru\u00edna! A raz\u00e3o \u00e9 patente: na Gazeta ministerial de Inglaterra, publica-se no 1.\u00ba dia de cada m\u00eas o estado das for\u00e7as mar\u00edtimas, e do mapa resulta ter empregadas 143 naus de linha, 29 naus de 50 pe\u00e7as, 191 fragatas, 223 escunas e 228 cuters, e outras embarca\u00e7\u00f5es menores; ora, calculando que cada nau faz de despesa somente de comidas dos oficiais, soldos dobrados, ranchos e outras despesas di\u00e1rias, 600.000 reis cada dia, forma um total de mais de meio milh\u00e3o di\u00e1rio: muito mais desta soma dispendem eles nas perdas que padecem pelos temporais, encharcados, mastros, velames, &amp;c. que continuamente est\u00e3o dispendendo pelos temporais, e particularmente as muitas naus que mensalmente est\u00e3o dando \u00e0 costa nos mares de Espanha, Fran\u00e7a, Dinamarca, &amp;c.; e os lucros que tiram para a sustenta\u00e7\u00e3o de t\u00e3o grandes esquadras s\u00e3o desconhecidos; porque acaso suprir\u00e1 esta imensa soma o importe de um ou dois navios mercantes que possam eles apanhar?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso diz o folheto que quem mente \u00e9 necess\u00e1rio ter boa mem\u00f3ria. Disse este autor no princ\u00edpio do seu folheto que a esquadra inglesa, posto constar de muitos vasos, tinha muitos desarmados, e outros incapazes de servir, e outros sem gente para se tripularem: e assim quis infundir no leitor uma fraca ideia do poder mar\u00edtimo brit\u00e2nico; aqui agora, como lhe fazia conta que a esquadra fosse muito grande, para exagerar as enormes despesas que se fazem com a sua manuten\u00e7\u00e3o, d\u00e1 uma longa lista dos navios. A lista que o autor aqui d\u00e1 \u00e9 diferente da que eu tenho dado, mas sem me ocupar em refutar isso, responderei simplesmente \u00e0 quest\u00e3o se os ingleses t\u00eam com que sustentem essa grande for\u00e7a mar\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>A soma que se votou no Parlamento para a manuten\u00e7\u00e3o da Esquadra Brit\u00e2nica no ano de 1808 foi de 17.496.047 libras esterlinas; e \u00e9 esta soma parte de 54.173.000 libras esterlinas que a na\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica tem de pagar para o servi\u00e7o p\u00fablico deste ano; e esta avultada coleta \u00e9 feita pelo meio mais suave que pode imaginar-se e resulta de fontes que n\u00e3o est\u00e3o ao alcance de Bonaparte, e que os seus esfor\u00e7os nunca poderiam secar; por quanto os tributos que se pagam das terras, e propriedades im\u00f3veis, dos objetos de luxo, e muitos outros itens, que s\u00f3 pagam os ricos e abastados, e de que est\u00e3o isentas as pessoas de Med\u00edocres fortunas, todas estas fontes, digo, est\u00e3o livres de que Bonaparte as possa exaurir, por mais que estrebuche no Continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas pessoas, continua o folheto, pouco instru\u00eddas, exageram muito, dizendo que os ingleses podem negociar nas col\u00f4nias, e que isto os poder\u00e1 enriquecer brevemente; semelhantes c\u00e1lculos s\u00e3o faltos de racioc\u00ednio. Que serve que eles possam comerciar com as col\u00f4nias? Acaso as col\u00f4nias dar\u00e3o trabalho a um milh\u00e3o de artistas e fabricantes, que est\u00e3o arruinados e sem trabalho nas f\u00e1bricas inglesas? Acaso dar\u00e3o extra\u00e7\u00e3o a um curto n\u00famero de pessoas brancas nos portos da Am\u00e9rica, aos imensos armaz\u00e9ns que os ingleses t\u00eam das fazendas de suas f\u00e1bricas, visto que as pessoas de cor e um grande n\u00famero de brancos nas col\u00f4nias est\u00e3o acostumados a vestirem-se com fazendas de algod\u00e3o e pano fabricado, posto que um tanto grosseiro, pelas suas pr\u00f3prias m\u00e3os?<\/p>\n\n\n\n<p>A extens\u00e3o do com\u00e9rcio brit\u00e2nico abrange as quatro partes do mundo, e n\u00e3o obstante os grandes lucros que a Inglaterra tira do neg\u00f3cio com o Continente da Europa, o com\u00e9rcio com as outras partes ainda o excede muito.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor faz aqui uma asser\u00e7\u00e3o vaga, dizendo somente que s\u00e3o faltos de racioc\u00ednio os que calculam que a Inglaterra possa tirar lucros do com\u00e9rcio com as col\u00f4nias. Mas a falta de racioc\u00ednio estaria em crer nesta sua proposi\u00e7\u00e3o, sem que dele se deem provas. Eu mostrarei, pela minha parte, que o com\u00e9rcio ingl\u00eas com a Am\u00e9rica, \u00c1frica e \u00c1sia \u00e9 muito maior que o com\u00e9rcio ingl\u00eas com a Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Eis aqui a conta oficial das exporta\u00e7\u00f5es dos produtos e manufaturas inglesas, que se exportaram de Inglaterra no ano de 1806:<\/p>\n\n\n\n<p>Exporta\u00e7\u00f5es de 1806<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Para o Continente da Europa: 7.315.000<br>\u2022 Para a Irlanda e outras ilhas Brit\u00e2nicas: 2.659.000<br>\u2022 Para a Am\u00e9rica: 7.995.000<br>\u2022 Para as col\u00f4nias Brit\u00e2nicas nas \u00cdndias Ocidentais e Am\u00e9rica Meridional: 6.937.000<br>\u2022 Para \u00c1sia, \u00c1frica, etc.: 2.433.000<\/p>\n\n\n\n<p>Total de exporta\u00e7\u00f5es independentes da Europa: 20.084.000<br>Total das exporta\u00e7\u00f5es da Gr\u00e3-Bretanha em valor oficial, no ano de 1806: 27.399.000<\/p>\n\n\n\n<p>Diz o autor neste par\u00e1grafo: &#8220;Que serve que eles possam comerciar com as col\u00f4nias.&#8221; Este portugu\u00eas \u00e9 demasiado afrancesado, mas n\u00e3o me embara\u00e7arei com isso, porque o folheto est\u00e1 t\u00e3o cheio de erros de gram\u00e1tica, que se eu reparasse nisso n\u00e3o me ficaria lugar para tratar da mat\u00e9ria. Mas responderei agora \u00e0 pergunta: de que serve \u00e0 Inglaterra o comerciar com suas col\u00f4nias? Disto: de ganhar todos os anos vinte milh\u00f5es e oitenta e quatro mil libras esterlinas, independente de todo o com\u00e9rcio do Continente da Europa; e por consequ\u00eancia nesta soma n\u00e3o haver\u00e1 que cercear, ainda que os senhores franceses assim o determinem.<\/p>\n\n\n\n<p>O par\u00e1grafo seguinte diz assim: &#8220;Para se conhecer melhor o estado atual da Inglaterra n\u00e3o se precisa mais que ler as suas gazetas. Na de 7 de novembro \u00faltimo, diz estas palavras: Toda a Europa est\u00e1 agora fechada para os nossos navios. O Reino de Portugal, em nenhum dos casos poss\u00edveis, ora seja nosso amigo, ou nosso inimigo, nos pode oferecer recurso algum. Os nossos navegantes n\u00e3o se atreveram j\u00e1 a penetrar no B\u00e1ltico: os portos prussianos n\u00e3o existem para os nossos navios; e o temor de romper de um momento a outro com a R\u00fassia, produz entre os negociantes uma desconfian\u00e7a e ina\u00e7\u00e3o, que \u00e9 t\u00e3o prejudicial para o com\u00e9rcio do Norte como poder\u00e1 ser a mesma guerra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Traz este par\u00e1grafo duas notas; a primeira \u00e9 ao Reino de Portugal, e diz: &#8220;Jamais poder\u00e3o tirar deste Reino as vantagens que at\u00e9 agora eles tiraram.&#8221; A segunda \u00e9 sobre a R\u00fassia, e diz: &#8220;Antes era temor de um rompimento, agora j\u00e1 tem a R\u00fassia declarado guerra \u00e0 Inglaterra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Este par\u00e1grafo e suas notas servem para mostrar o tempo em que este folheto foi escrito, que \u00e9, sem a menor d\u00favida, depois da sa\u00edda do Pr\u00edncipe Regente para o Brasil; pois estas duas notas ao texto daquela gazeta inglesa sup\u00f5em j\u00e1 a guerra da R\u00fassia declarada, e o com\u00e9rcio de Portugal interdito aos ingleses. Mas o governo franc\u00eas, para dar a esta publica\u00e7\u00e3o certo ar de autoridade, que imponha \u00e0 na\u00e7\u00e3o portuguesa, mandou-lhe p\u00f4r no frontisp\u00edcio &#8220;Impresso com licen\u00e7a do desembargo do Pa\u00e7o.&#8221; Quando tudo o que se imprime em Lisboa, depois da sa\u00edda do Pr\u00edncipe, vem com esta declara\u00e7\u00e3o, &#8220;Impresso com Licen\u00e7a do Governo.&#8221; Esta falta de sinceridade francesa, com que se pretende iludir a na\u00e7\u00e3o portuguesa, \u00e9 a que eu pretendo fazer conhecer; e, como este, s\u00e3o todos os mais atos do governo franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor neste par\u00e1grafo faz grande ostenta\u00e7\u00e3o de se haverem fechado contra os ingleses os portos do B\u00e1ltico, Pr\u00fassia, Portugal, &amp;c.<br>A Inglaterra sofre com estas medidas violentas do governo franc\u00eas, por\u00e9m as mais na\u00e7\u00f5es arru\u00ednam-se inteiramente. H\u00e1 um ditado portugu\u00eas que diz: &#8220;O homem mau tira um olho a si, para tirar dois ao vizinho.&#8221; Mas Bonaparte faz mais: tira a todas as na\u00e7\u00f5es ligadas com a Fran\u00e7a dois olhos, para tirar aos ingleses um olho. Para explicar esta minha proposi\u00e7\u00e3o, exemplificarei com Portugal; pois este pa\u00eds, sendo o principal que o autor do folheto se prop\u00f5e a enganar, \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio que seja o principal que eu me proponha a acautelar do engano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ingleses perderam de vender as suas fazendas de l\u00e3 e algod\u00e3o em Portugal, \u00e9 verdade; mas n\u00e3o sabe todo o mundo que as f\u00e1bricas de Portugal exportavam para o Brasil grande valor nestas mercadorias? Todas estas fazendas, portanto, que se exportavam para o Brasil das f\u00e1bricas de Portugal n\u00e3o podem ir agora; e por consequ\u00eancia s\u00e3o os ingleses os que t\u00eam de fornecer o Brasil com estas fazendas, no que lucrar\u00e3o tr\u00eas vezes mais do que lucravam no mesmo g\u00eanero de fazendas em Portugal.<br>Os ingleses supriam-se de vinhos de Portugal; esses continuam a vir agora do mesmo modo; e quando n\u00e3o viessem, os miser\u00e1veis lavradores do Douro e mais pessoas empregadas neste tr\u00e1fego de vinho eram os que ficavam arruinados, n\u00e3o tendo outra coisa de que vivessem. Em prova disto, apelo para todos os habitantes de Lisboa; e pe\u00e7o-lhes que comparem a situa\u00e7\u00e3o atual daquela infeliz cidade com o seu florente estado enquanto faziam o com\u00e9rcio com a Inglaterra. O primeiro favor que os franceses lhe fizeram foi impor-lhe a pesad\u00edssima contribui\u00e7\u00e3o de quarenta milh\u00f5es de cruzados, sem que aquele Reino resistisse aos invasores, nem desse o menor motivo de ressentimento ao governo franc\u00eas; mandaram fundir a prata das igrejas, e t\u00eam-lhe feito todas as mais insol\u00eancias que eu terei para o futuro o cuidado de deixar aqui em registro, neste jornal, para que n\u00e3o esque\u00e7am.<\/p>\n\n\n\n<p>As ruas que se viam em Lisboa empachadas com carruagens, hoje est\u00e3o que apenas por elas se v\u00ea passar um carro; os c\u00e3es de Lisboa, que ferviam com gente empregada no embarque e desembarque de mercadorias, hoje s\u00f3 t\u00eam as vigias e sat\u00e9lites do governo franc\u00eas, que espiam os miser\u00e1veis fugitivos, os quais, para se livrar da opress\u00e3o dos franceses, chegam at\u00e9 a deitar-se a nado para colher um bote que os leve \u00e0 esquadra inglesa. Quando, disto que digo, n\u00e3o tivesse as mais positivas provas e informa\u00e7\u00f5es fidedignas, bastava-me ver aqui chegar todos os dias de Portugal t\u00e3o grande n\u00famero de portugueses; e certamente n\u00e3o s\u00e3o as felicidades que a falta do com\u00e9rcio traz a Lisboa quem os obriga a deixar a p\u00e1tria, os parentes e os amigos, e tudo quanto o homem mais estima na terra em que nasceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Comparem agora os portugueses essa m\u00edsera exist\u00eancia com o estado em que vivem aqui os ingleses que deixaram Portugal, ou que vivendo aqui perderam o neg\u00f3cio que tinham com Portugal. Em primeiro lugar, estes homens acham no Brasil, certissimamente, um mercado igual, quando n\u00e3o seja superior, ao que perderam em Portugal; mas supondo, o que n\u00e3o concedo, que n\u00e3o o achavam; seriam obrigados estes negociantes a ter dois em lugar de quatro criados, uma carruagem em vez de duas, em uma palavra, a cortar algum tanto pelo seu luxo; enquanto que aqueles negociantes de Lisboa, que lhes vendiam os seus vinhos e azeites, e lhes revendiam os algod\u00f5es e mais produtos vindos do Brasil, ter\u00e3o agora de fazer banca rota ou parar inteiramente o seu giro.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estado florescente na agricultura, com f\u00e1bricas e uma grande extens\u00e3o de com\u00e9rcio interno, pode, sem detrimento essencial, posto que pade\u00e7a, perder por algum tempo o com\u00e9rcio externo. Mas Portugal, que estava reduzido a viver quase somente das reexporta\u00e7\u00f5es dos produtos de suas col\u00f4nias e da venda de seus vinhos, azeite e frutas, cortar-lhe de repente todos estes ramos \u00e9 reduzi-lo ao estado da \u00faltima pobreza.<br>Estes males talvez o povo n\u00e3o sinta t\u00e3o severamente ainda agora, em quanto lhe resta alguma coisa daquilo que ganhou no tempo da prosperidade do com\u00e9rcio; mas quando esses sobressalentes, que se pouparam em outro tempo, ficarem exauridos o mal aparecer\u00e1 ent\u00e3o com todos os seus horrores; donde se v\u00ea que a Fran\u00e7a, pelo desejo de vingar-se da Inglaterra, a quem n\u00e3o pode diretamente morder, vai arruinar de todo, e por todo, o Reino de Portugal, fazendo aos Ingleses o insignificante mal de que n\u00e3o possam vender, nesse pa\u00eds, uma d\u00fazia de canivetes. Que compara\u00e7\u00e3o tem o mal que sofre Portugal, nesta sua extin\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, com o que a Gr\u00e3-Bretanha perde em n\u00e3o ter negociantes Ingleses em Lisboa? A disparidade \u00e9 mui evidente para que me demore mais em prov\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do Autor haver assim balbuciado sobre o Com\u00e9rcio de Inglaterra, de que \u00e9 evidente n\u00e3o saber coisa alguma, passa, segundo ele nos diz, a falar sobre a sua Pol\u00edtica e Agricultura; este ramo, em vez de o ligar com a Pol\u00edtica, deveria atalho com o com\u00e9rcio; mas o autor importa-lhe pouco com o m\u00e9todo. Ou\u00e7amos o que nos diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em quanto \u00e0 sua Pol\u00edtica, diremos que a base fundamental da Pol\u00edtica Inglesa foi sempre, e particularmente na presente guerra, elevar a sua Na\u00e7\u00e3o a um grau de poder imenso, posto que seja \u00e0 custa da ru\u00edna das outras Na\u00e7\u00f5es: dominar os mares, fazendo tribut\u00e1rias as Na\u00e7\u00f5es do Mundo que por eles quiserem navegar, e destruir o Com\u00e9rcio Mar\u00edtimo de todas as Na\u00e7\u00f5es; somente lendo o Decreto seguinte, prova-se quanto at\u00e9 agora temos dito: Gazeta de Londres do 1 de Dezembro de 1807. &#8216;Depois de ter passado um ano, determinou o nosso Governo usar de repres\u00e1lias contra o bloqueio das Ilhas Brit\u00e2nicas, decretado por S. M. o Imperador e Rei, declarando em estado de bloqueio todo o continente da Europa. Nenhum navio neutral poder\u00e1 entrar nos seus portos desde Memel at\u00e9 Constantinopla, como n\u00e3o tiver sabido dos de Inglaterra. Se os navios das pot\u00eancias neutras quiserem comerciar na Fran\u00e7a e Espanha, deve ser sujeitando-se a entrar antes nos nossos portos, Desembarcar neles os seus carregamentos respectivos, e pagar os direitos, que se sinalarem na pr\u00f3xima sess\u00e3o do Parlamento; isto verificado, e n\u00e3o de outro modo, poder\u00e3o voltar a carregar e encaminhar-se a portos inimigos, munidos de documentos aut\u00eanticos para justificar esta circunst\u00e2ncia. Os direitos que se carregaram sobre o vinho, caf\u00e9, a\u00e7\u00facar e tabacos estrangeiros ser\u00e3o consider\u00e1veis, para deste modo assegurar a prefer\u00eancia aos efeitos Ingleses da mesma classe. Por este Decreto tir\u00e2nico, quer destruir os d\u00e9beis restos da independ\u00eancia dos mares; quer que daqui em diante n\u00e3o possa embarca\u00e7\u00e3o alguma navegar sem ter de arribar aos seus portos, sem pagar um tributo \u00e0 sua pretendida soberania, ou sem receber dela uma licen\u00e7a ignominiosa. Por\u00e9m S. M. o Imperador e Rei, que sempre desejou dar a liberdade aos mares e opor-se aos b\u00e1rbaros projetos que a Inglaterra tem formado para a opress\u00e3o da Navega\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o podendo ver com indiferen\u00e7a destruir os direitos e privil\u00e9gios das na\u00e7\u00f5es neutras, e usando S. Majestade Imperial de uma justa reciprocidade, mandou pelo seu Decreto de 17 de Dezembro de 1807 dar por boa presa todo o navio, seja da Na\u00e7\u00e3o que for, que tiver sa\u00eddo dos portos da Gr\u00e3-Bretanha ou das suas Col\u00f4nias, ou pagando algum tributo aos Ingleses, ou comunicando com eles no mar, com outras disposi\u00e7\u00f5es relativas a este mesmo objeto; mandando outrossim cessar estas provid\u00eancias, logo que o Governo Ingl\u00eas tornar aos princ\u00edpios do Direito das Gentes, que regulam as rela\u00e7\u00f5es dos Estados Civilizados, quando se acham em guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Copiei por inteiro este longo e tedioso par\u00e1grafo, para que o autor n\u00e3o se queixe de que t\u00e3o interessante discurso aparecia truncado; ali\u00e1s, pouparia ao leitor o trabalho de ler semelhante raps\u00f3dia. Examinando, por\u00e9m, o contexto, reduz-se o argumento a que a Inglaterra aspira a elevar a sua Na\u00e7\u00e3o a um grau de poder imenso. O autor certamente me permitir\u00e1 falar aqui na grande modera\u00e7\u00e3o, na falta de ambi\u00e7\u00e3o desse que ele muitas vezes chama S. M. Imperial e Real. A Inglaterra est\u00e1 em uma guerra defensiva; a Fran\u00e7a tem atacado de seu pr\u00f3prio motu todas as Na\u00e7\u00f5es do Continente. Mas, deixando por agora estes insultos da Fran\u00e7a, de que fa\u00e7o inten\u00e7\u00e3o de tratar muito pelo mi\u00fado nos subsequentes n\u00fameros, passarei a examinar a quest\u00e3o desta Ordem de S. M. em conselho, que serviu de reivindica\u00e7\u00e3o ao Decreto de Bonaparte, por que declarou bloqueada todas as Ilhas Brit\u00e2nicas. A primeira reflex\u00e3o que o autor copia de uma gazeta Inglesa \u00e9 de que o Governo Ingl\u00eas esperou um ano, depois do Decreto de Bonaparte, antes de publicar as suas ordens para contrastar os efeitos daquele Decreto. Mas isto est\u00e1 t\u00e3o longe de servir de reproche aos Ingleses que \u00e9 justamente uma prova da sua modera\u00e7\u00e3o; porque, em vez de tomar um despique imediato, esperaram um ano a ver se as na\u00e7\u00f5es neutras, conhecendo por experi\u00eancia os danos que sofriam em consequ\u00eancia deste Decreto, acordavam do letargo em que se achavam e procuravam reivindicar os seus Direitos, obtendo da Fran\u00e7a ou a inexecu\u00e7\u00e3o daquelas ordens ou a sua revoga\u00e7\u00e3o. Esperou o Governo Ingl\u00eas um ano; e esperou, quanto a mim, mais do que devia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que Direito das gentes fundam os Franceses o dar por bloqueados todos os portos dos dom\u00ednios Brit\u00e2nicos, sem que tenham a coragem de mandar uma esquadra que bloqueie efetivamente o menor dos portos Ingleses? Se algu\u00e9m podia fazer isso com Justi\u00e7a, \u00e9 a Inglaterra; porque com suas numerosas esquadras pode circundar todo o Continente e formar coisa que se assemelhe a um bloqueio geral. Mas o dar Bonaparte por bloqueados todos os portos Ingleses, sem se atrever a mandar \u00e0s costas de Inglaterra um s\u00f3 bote nacional armado, \u00e9 medida, al\u00e9m de injusta, rid\u00edcula e burlesca ao \u00faltimo ponto.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tudo, a Inglaterra n\u00e3o declarou em bloqueio todo o continente; e se o fizesse, n\u00e3o teriam as Na\u00e7\u00f5es neutras raz\u00e3o de se queixar; porque se n\u00e3o queixaram da Fran\u00e7a, quando esta declarou em bloqueio todos os portos Brit\u00e2nicos. Os Ingleses contentaram-se com uma medida muito mais moderada, e que fica muito aqu\u00e9m da viol\u00eancia do Decreto Franc\u00eas; porque n\u00e3o proibiram que os navios neutros fossem aos portos dos inimigos; contentaram-se com exigir que antes de l\u00e1 ir, viessem primeiro \u00e0 Inglaterra, e ainda assim estabeleceu a Ordem de que se trata, muitas exce\u00e7\u00f5es a favor dos neutros.<\/p>\n\n\n\n<p>O modo da execu\u00e7\u00e3o destas ordens de Fran\u00e7a e Inglaterra \u00e9 tamb\u00e9m muito diferente; porque as ordens de S. M. Brit\u00e2nica n\u00e3o s\u00f3 contemplam, quanto \u00e9 poss\u00edvel nas circunst\u00e2ncias atuais, o com\u00e9rcio dos neutros, que ali\u00e1s \u00e9 restringido por reivindica\u00e7\u00e3o aos Franceses, mas se lhe deu um prazo suficiente para que tivessem not\u00edcia destas ordens e regulassem o seu com\u00e9rcio nessa conformidade; entretanto que os Franceses, sem not\u00edcia antecipada, nem mais pre\u00e2mbulos, fizeram executar os seus Decretos nas negocia\u00e7\u00f5es que j\u00e1 estavam come\u00e7adas, quando ainda se n\u00e3o sabia de tais ordens; sujeitando \u00e0 confisca\u00e7\u00e3o os navios que haviam empreendido suas viagens, estritamente conformes com os Regulamentos ent\u00e3o existentes na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fecho de seus racioc\u00ednios, menciona o autor neste par\u00e1grafo o absurdo de Bonaparte pelo qual se estabelece a pena de confisca\u00e7\u00e3o contra todo o navio que for no mar visitado por alguma embarca\u00e7\u00e3o Inglesa. Deste decreto se segue que se um iate neutro encontrar com uma na\u00e7\u00e3o Inglesa de 100 pe\u00e7as, e esta o mandar vir \u00e0 fala, h\u00e1 de ser confiscado; porque se deixou comandar pelos Ingleses. Ora, como pode um m\u00edsero barquinho desarmado resistir ou desobedecer a um navio de guerra? Como devem os donos deste barco, assim oprimido pelo poder de uma na\u00e7\u00e3o Inglesa, ser castigados por um ato involunt\u00e1rio? Tal \u00e9 a justi\u00e7a do Decreto Franc\u00eas! E tal \u00e9 o discernimento do autor, que o cita para falar mal dos Ingleses!<\/p>\n\n\n\n<p>Este Decreto Franc\u00eas, que \u00e9 datado de 17 de Dezembro de 1807, \u00e9 virtualmente uma proibi\u00e7\u00e3o de navegar; porque, vista a grande multid\u00e3o de navios armados da Inglaterra, \u00e9 quase imposs\u00edvel que os navios neutros naveguem por alguma dist\u00e2ncia consider\u00e1vel sem que sejam encontrados por navios Brit\u00e2nicos, assim fica sendo o Decreto uma indireta proibi\u00e7\u00e3o de navegar. N\u00e3o \u00e9 logo de admirar que muitos suponham que as inten\u00e7\u00f5es de Bonaparte s\u00e3o de aniquilar o Com\u00e9rcio da Europa, impedir assim os progressos de civiliza\u00e7\u00e3o, e reduzir esta parte do Mundo ao grau de barbaridade a que a trouxeram as invas\u00f5es dos b\u00e1rbaros do Norte; e na verdade s\u00f3 esse estado de ignor\u00e2ncia e barbarismo se poderia adotar ao Despotismo universal a que ele parece aspirar.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de finalizar esta an\u00e1lise do folheto, farei o seguinte extrato dos mapas, ultimamente publicados em Paris pelo c\u00e9lebre Le Sage, e como ele \u00e9 um Franc\u00eas, servir\u00e1 isto de boa li\u00e7\u00e3o a um Portugu\u00eas que quer ser ainda mais violento contra a Inglaterra do que os mesmos Franceses. Carta Geogr\u00e1fica das Ilhas Brit\u00e2nicas, por Le Sage, calculada para a leitura, intelig\u00eancia e aplica\u00e7\u00e3o da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Da Inglaterra: &#8220;A Inglaterra, cujo nome particular serve muitas vezes de nome para todo o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, foi por perto de 400 anos uma das prov\u00edncias do Imp\u00e9rio Romano; foi, depois, por perto de outros quatrocentos anos, a presa dos Anglo-sax\u00f5es, que a dividiram em sete partes. No fim deste tempo, estas prov\u00edncias espalhadas se reuniram em um s\u00f3 corpo de Monarquia, sob Egberto, o primeiro de seus Reis. Este pa\u00eds se aumentou depois em diferentes \u00e9pocas pela acess\u00e3o da Irlanda, do pa\u00eds d&#8217;Gales e da Esc\u00f3cia, \u00e9 assim que se comp\u00f4s o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico de que as quatro \u00e9pocas est\u00e3o distintamente marcadas nesta carta, com a \u00e9poca da sua uni\u00e3o territorial e legislativa: o n\u00famero de seus 103 condados e o dos membros que eles enviam ao Parlamento Imperial; pois assim se chama o Parlamento, depois que ele representa os tr\u00eas Reinos da Inglaterra, da Esc\u00f3cia e da Irlanda, e que pela uni\u00e3o deste \u00faltimo pa\u00eds, ficou um s\u00f3 corpo legislativo de todo o Imp\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tal pa\u00eds se visita para ver os monumentos que tem: outros se viajam por causa da do\u00e7ura de seu clima; outros, enfim, pelos encantos de uma boa sociedade. \u00c9 por\u00e9m necess\u00e1rio ir ver a Inglaterra unicamente por suas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, as suas opera\u00e7\u00f5es comerciais, seus recursos de finan\u00e7as; e debaixo deste ponto de vista, se achar\u00e1 o pa\u00eds mais interessante, sem d\u00favida, que apresenta a hist\u00f3ria desde a civiliza\u00e7\u00e3o tanto antiga como moderna.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de 14.000.000 de habitantes, o seu com\u00e9rcio \u00e9 imenso, e o seu cr\u00e9dito incalcul\u00e1vel, tanto pela extens\u00e3o de seus recursos, como pela natureza de seu governo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As suas col\u00f4nias s\u00e3o gigantescas; a sua extens\u00e3o e a sua popula\u00e7\u00e3o sobrep\u00f5em muito \u00e0 da metr\u00f3pole. A Inglaterra conta no seu seio indiv\u00edduos que, debaixo do nome de Companhias, possuem na \u00cdndia pa\u00edses mais extensos, mais povoados, e t\u00e3o ricos como a mesma Inglaterra!!!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, que se eleva no meio das \u00e1guas, parece feito para dominar os mares: a sua situa\u00e7\u00e3o, os seus h\u00e1bitos, seu g\u00eanio, tudo conspira a dar-lhe a soberania deste elemento; assim \u00e9 por este t\u00edtulo que a Inglaterra se acha na linha das primeiras Na\u00e7\u00f5es da Europa. Ela forma com a Fran\u00e7a os dois grandes pesos da balan\u00e7a pol\u00edtica, com quem se combina depois o resto das pot\u00eancias da Europa segundo a sua pol\u00edtica, seu ju\u00edzo e suas vistas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta circunst\u00e2ncia estabelece entre os dois pa\u00edses um ci\u00fame natural e uma rivalidade constante, que nem a estima\u00e7\u00e3o rec\u00edproca dos dois povos, nem a comunica\u00e7\u00e3o continuada t\u00eam podido extinguir, mas que a menor crise \u00e9 bastante para levar logo ao \u00faltimo grau da irrita\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este mal inevit\u00e1vel, por\u00e9m, n\u00e3o deixa de produzir algum bem; ele nutre a gl\u00f3ria e as belas a\u00e7\u00f5es de ambos os pa\u00edses: desperta e tem constantemente em a\u00e7\u00e3o todas as suas faculdades, aferra o patriotismo nos homens, aperfei\u00e7oa a ind\u00fastria, anima as descobertas, fomenta o g\u00eanio nas letras, artes e ci\u00eancias: e, neste sentido, esta rivalidade nacional deixa de ser um mal e pode at\u00e9 ser considerada como um bem.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assim, todo o bom cidad\u00e3o deve de ambas as partes desejar ardentemente a vantagem da sua p\u00e1tria sobre o pa\u00eds rival; mas ultrapassaria os limites da verdadeira pol\u00edtica e da s\u00e3 raz\u00e3o se um entusiasmo cego o levasse a desejar a sua total destrui\u00e7\u00e3o; porque a hist\u00f3ria nos ensina que, nas c\u00e9lebres lutas dos povos, a destrui\u00e7\u00e3o do vencido \u00e9 bem depressa seguida da destrui\u00e7\u00e3o do vencedor.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, como o Com\u00e9rcio da Inglaterra com o Brasil deve ser, segundo a minha opini\u00e3o, um grande equivalente do que se perdeu em Portugal, o seguinte extrato servir\u00e1 aqui para que o leitor o compare com as afirma\u00e7\u00f5es deste folheto.<\/p>\n\n\n\n<p>tables<br>Resta-me agora tirar a minha conclus\u00e3o do que fica dito, assim como o autor tirou a sua.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclus\u00e3o do autor.<\/p>\n\n\n\n<p>Do exposto acima se deduz que as f\u00e1bricas da Gr\u00e3-Bretanha est\u00e3o paradas e, por consequ\u00eancia, mais de um milh\u00e3o de pessoas sem se ocuparem. Os negociantes sem com\u00e9rcio, nem rela\u00e7\u00f5es com o Continente. Os armaz\u00e9ns da Inglaterra cheios de fazendas sem ter onde lhes possam dar sa\u00edda. As suas esquadras fazendo uma despesa di\u00e1ria de mais de meio milh\u00e3o, e sem mais lucros que a tomada de um ou dois navios mercantes que possam apanhar. A pol\u00edtica inglesa, contr\u00e1ria aos interesses de todas as na\u00e7\u00f5es. A sua agricultura na decad\u00eancia por falta de bra\u00e7os e de com\u00e9rcio. Todos os portos do Continente, fechados aos navios em geral da Gr\u00e3-Bretanha; e o povo ingl\u00eas desanimado, por n\u00e3o poder j\u00e1 sustentar por mais tempo o peso e as desgra\u00e7as de guerra t\u00e3o dilatada e destruidora.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclus\u00e3o minha.<\/p>\n\n\n\n<p>Do exposto acima se deduz que as f\u00e1bricas da Gr\u00e3-Bretanha trabalham como dantes, e que mais de um milh\u00e3o de pessoas nelas se empregam. Os negociantes fazem todo o com\u00e9rcio que se pode fazer no mundo, pois o Continente nem pode fazer algum. Os armaz\u00e9ns da Inglaterra despejando para fora mais de trinta e quatro milh\u00f5es meio de fazendas. As esquadras supridas de todo os necess\u00e1rio e superiores ao que nunca foram nem na Inglaterra, nem em alguma outra na\u00e7\u00e3o do mundo; sustentando-se da soma de 37:496.047 libras esterlinas, que se viu votada no Parlamento. A pol\u00edtica inglesa favorecendo as na\u00e7\u00f5es neutras,<br>empobrecendo a passos r\u00e1pidos, e os ingleses florescendo em artes e ci\u00eancias; e no com\u00e9rcio, que fazem atualmente nas quatro partes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>MISCELLANEA.<br>Pensamentos vagos sobre novo Imp\u00e9rio do Brasil.<br>No. 1.<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o francesa, que tem prostrado os Governos da Europa e abalado at\u00e9 os fundamentos a antiga ordem e rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos Estados Europeus, toma de dia em dia um aspecto mais horr\u00edvel. Um crime produz outro; e as perversas inten\u00e7\u00f5es dos invasores, n\u00e3o se podendo sustentar sem acumular males sobre males, t\u00eam reduzido o Continente a n\u00e3o ter esperan\u00e7as algumas de gozar t\u00e3o cedo a tranquilidade, que noutros tempos, muitas vezes existiu por longos intervalos, apesar da oposi\u00e7\u00e3o de interesses das Pot\u00eancias da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>A Espanha \u00e9 a mais recente na s\u00e9rie de cat\u00e1strofes que estes tempos calamitosos t\u00eam exibido; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, nem prov\u00e1vel, que ela seja a \u00fanica em seu g\u00eanero; mas, sem d\u00favida, o comportamento do Governo Franc\u00eas para com a Espanha \u00e9 uma atrocidade t\u00e3o horr\u00edvel, que no passado nada lhe iguala; no futuro, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil imaginar algo que lhe exceda em inf\u00e2mia.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltou na Espanha at\u00e9 o pretexto com que o d\u00e9spota da Fran\u00e7a atacou os outros inocentes e pac\u00edficos Estados; porque, se a Portugal e outros pa\u00edses puderam dizer que os acometiam porque, desejando a neutralidade, faziam indiretamente benef\u00edcio ao inimigo da Fran\u00e7a, \u00e0 Espanha nem ao menos este especioso paralogismo se p\u00f4de produzir. Se o espanhol n\u00e3o merecia o nome de aliado, ao menos era para o franc\u00eas um vassalo fiel; a Espanha n\u00e3o disputava, nem murmurava de sua escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>El Rei Carlos IV, desde que assinou o Tratado dos Pirineus, por interven\u00e7\u00e3o do Pr\u00edncipe (a que chamou por isso da Paz), continuou sempre em uma s\u00e9rie n\u00e3o interrompida de condescend\u00eancias, ou para melhor dizer, de humilha\u00e7\u00f5es, que, suposto n\u00e3o devessem merecer-lhe a estima\u00e7\u00e3o dos franceses, deviam, pelo menos, alcan\u00e7ar a Carlos IV certa compaix\u00e3o, que ele obteria se tratasse com alguma na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o digo generosa, mas simplesmente humana.<\/p>\n\n\n\n<p>El Rei de Espanha foi sempre o primeiro em reconhecer por justos e tratar como iguais todos os governos, ou para melhor dizer, fac\u00e7\u00f5es que dilaceraram a Fran\u00e7a at\u00e9 agora, e que lan\u00e7aram os fundamentos \u00e0 ru\u00edna e mis\u00e9ria de toda a Europa. Governos estes estabelecidos sobre o fundamento de umas constitui\u00e7\u00f5es ef\u00eameras, que s\u00f3 podiam servir para elevar por alguns meses, acima de seus companheiros, aqueles desses malvados que, por mais astuciosos, sobrexcediam os outros em velhacaria. E talvez nenhuma na\u00e7\u00e3o da Europa teria passado pela humilha\u00e7\u00e3o de reconhecer por legais esses mal-chamados governos, se a Espanha n\u00e3o tivesse dado um exemplo t\u00e3o funesto.<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos IV fez mais do que reconhecer como governo legal todos esses chefes de revolucion\u00e1rios; ligou-se com eles, sacrificou o com\u00e9rcio da Espanha, privou-se inteiramente da comunica\u00e7\u00e3o com suas col\u00f4nias, perdeu as suas esquadras e paralisou inteiramente a ind\u00fastria dos espanh\u00f3is, sem outro fim mais que o de agradar \u00e0 Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o pretexto de formar um pequeno estado na It\u00e1lia para um ramo da Casa Real de Espanha, cedeu Carlos IV aos franceses a Louisiana e S\u00e3o Domingos; e deste pequeno estado (a que se chamou Reino de Etr\u00faria) foram o atual rei e sua m\u00e3e desapossados por Bonaparte, sem se dar para isso outro motivo que a vontade do Governo Franc\u00eas, e sem que a esta princesa se oferecesse a menor contempla\u00e7\u00e3o pelo que acabava de se lhe tirar.<br>Passo a passo com esta s\u00e9rie de sacrif\u00edcios e de condescend\u00eancias da parte da Espanha, marchou sempre outra s\u00e9rie de trai\u00e7\u00f5es da parte da Fran\u00e7a, que tendiam \u00e0 destroniza\u00e7\u00e3o de Carlos IV e que n\u00e3o findar\u00e3o sen\u00e3o com a total dilacera\u00e7\u00e3o da monarquia espanhola, e at\u00e9, talvez, com a aniquila\u00e7\u00e3o do nome Espanha! Este contraste \u00e9 o que forma a peculiar caracter\u00edstica desta infame transa\u00e7\u00e3o, e ser\u00e1 para toda a posteridade o ferrete e estigma da Na\u00e7\u00e3o Francesa.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi j\u00e1 a obra do momento, \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o estudada, \u00e9 uma s\u00e9rie de fatos que n\u00e3o admitem desculpa, porque os franceses, depois de serem o instrumento da eleva\u00e7\u00e3o do Pr\u00edncipe da Paz, suportaram este filho das ervas enquanto foi necess\u00e1rio para intrigar o Governo com a Na\u00e7\u00e3o, o Rei com seu filho, e os nobres uns com os outros. Isto conseguido, fizeram retirar para longe da Espanha as suas tropas e, com o pretexto de atacar Portugal, encheram a Espanha de soldados franceses. Depois, puseram em agita\u00e7\u00e3o o fermento da revolta, que tinham preparado, e para que nem os presentes nem os vindouros pudessem ignorar a causa motora destes tristes acontecimentos, Bonaparte em pessoa veio postar-se nas fronteiras da Espanha, residindo em Bayona, enquanto o seu numeroso ex\u00e9rcito tomava violentamente de seu amigo e aliado (sem dar o menor pretexto ou raz\u00e3o) as fortalezas de Pamplona e Figueiras, chaves da Espanha nas fronteiras da Fran\u00e7a. O comandante em chefe deste ex\u00e9rcito apossou-se de Madrid; e a fam\u00edlia real da Espanha, for\u00e7ada por uma s\u00e9rie de trai\u00e7\u00f5es a abdicar o seu direito ao trono, passa \u00e0 Fran\u00e7a no estado de cativeiro formal.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja-me permitido referir aqui por menor a tomada de Barcelona, como amostra do proceder dos franceses na Espanha. Aos 13 de fevereiro, chegaram \u00e0s vizinhan\u00e7as de Barcelona cerca de 10.000 soldados franceses. O oficial que os comandava pediu ao governador da pra\u00e7a passaportes para marchar para Val\u00eancia, que, segundo ele dizia, era o lugar de seu destino; mas pediu igualmente que se lhe concedesse descansar sua tropa em Barcelona por um dia ou dois; abriram-se logo as portas aos franceses e fez-se-lhe o melhor agasalho; e todos os habitantes andavam \u00e0 porfia de quem mostraria mais hospitalidade aos franceses. Passados tr\u00eas dias, tocou a rebate, formaram-se as tropas francesas, como quem ia partir; o povo ajuntou-se todo, naturalmente, para fazer as despedidas a seus h\u00f3spedes, a quem haviam tratado com tanta amizade; mas qual foi a sua admira\u00e7\u00e3o quando viram dividirem-se os franceses, e seguir uma coluna o caminho do Alc\u00e1cer, de que tomaram logo posse, ao mesmo tempo que a outra se apoderou do Forte Monju\u00ed, no cabe\u00e7o de um outeiro que fica a cavaleiro da cidade! Estava este lugar com uma guarni\u00e7\u00e3o de 6.000 espanh\u00f3is, a quem os franceses requereram que sa\u00edssem para fora, para dar lugar aos seus amigos que queriam entrar; o comandante espanhol respondeu que era necess\u00e1rio, antes disso, receber as instru\u00e7\u00f5es do seu governo, mas que, no entanto, as tropas francesas seriam amplamente providas com tudo o que lhes fosse necess\u00e1rio. O comandante franc\u00eas replicou que trazia ordens muito perempt\u00f3rias, e por tanto n\u00e3o podia diferir por um momento a sua execu\u00e7\u00e3o. Nestes termos, resignaram-lhe os espanh\u00f3is os quart\u00e9is sem mais oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Que mais poderia ter acontecido a Carlos IV e \u00e0 sua fam\u00edlia se, em vez de baixas condescend\u00eancias, tivesse defendido a sua dignidade e a independ\u00eancia de seus povos \u00e0 for\u00e7a de armas? Teria talvez sucumbido e estaria reduzido ao estado em que agora se acha, mas conservaria a honra. Quando Francisco I de Fran\u00e7a, ficando prisioneiro de Carlos V na batalha de Pavia, entregou aquela espada que Bonaparte exigiu agora dos monarcas de Espanha antes de os destronizar, para que nem essa humilha\u00e7\u00e3o lhes faltasse, escreveu a Paris, dizendo estas palavras: &#8220;Tudo est\u00e1 perdido, menos a honra.&#8221; O governo espanhol n\u00e3o pode certamente dizer o mesmo agora.<br>Para c\u00famulo de desgra\u00e7a, foram os soberanos da Espanha obrigados a renunciar seus direitos, abdicar seu trono e solicitar ao seu pr\u00f3prio povo que faltasse \u00e0 f\u00e9 e ao juramento de fidelidade que haviam prestado \u00e0 Real Fam\u00edlia reinante; a pedir, por fim, que obedecessem a seus pr\u00f3prios inimigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois disto, quem se atrever\u00e1 a duvidar da s\u00e1bia pol\u00edtica do Pr\u00edncipe Regente de Portugal em mudar sua Corte para o Brasil? At\u00e9 agora, podia imputar-se \u00e0 ignor\u00e2ncia ou estupidez os esfor\u00e7os que algumas pessoas t\u00eam feito, (entre outros, a popula\u00e7a de Madrid), de acusar de indiscreta a viagem do Pr\u00edncipe; mas agora, se algu\u00e9m persiste em sustentar tal opini\u00e3o, deve ser somente por obstina\u00e7\u00e3o ou perversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes acontecimentos na Espanha s\u00e3o, sem d\u00favida, intimamente ligados aos do Imp\u00e9rio do Brasil por mais de um motivo; porque n\u00e3o s\u00f3 mostram que a Corte de Portugal n\u00e3o podia ter outra alternativa sen\u00e3o a mudan\u00e7a para o Brasil; pois nenhuns sacrif\u00edcios que o Pr\u00edncipe Regente fizesse poderiam obter-lhe da Fran\u00e7a nem j\u00e1 as apar\u00eancias de soberania, que ainda ent\u00e3o gozara o Rei da Espanha, e que nem essas mesmas quiseram conceder-lhe por mais tempo; mas, al\u00e9m disto, devolvem \u00e0 fam\u00edlia de Bragan\u00e7a o direito ao trono de Espanha; e, por consequ\u00eancia, um justo t\u00edtulo de se apossar daquela parte das col\u00f4nias espanholas que lhe ficarem ao alcance de suas for\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Como quer que seja, o governo do Brasil n\u00e3o pode olhar para a Espanha em outro ponto de vista sen\u00e3o como um pa\u00eds de que o inimigo est\u00e1 de posse; e as medidas que h\u00e1 que tomar devem todas estribar-se neste princ\u00edpio, que o governo atual da Espanha e o corpo da antiga monarquia espanhola s\u00e3o j\u00e1 duas entidades inteiramente diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O restabelecimento de Carlos IV ao trono de Espanha \u00e9 t\u00e3o imposs\u00edvel como o de nenhum outro ramo de sua fam\u00edlia, que se acha agora prisioneira em Fran\u00e7a. O \u00f3dio dos espanh\u00f3is contra os franceses \u00e9 evidente, e se entre eles havia certo germe de antipatia, o que agora acaba de suceder deve completar um aborrecimento formal. Certamente o esp\u00edrito de independ\u00eancia e de lealdade aos seus soberanos existe nos cora\u00e7\u00f5es dos castelhanos; nem h\u00e1 na Europa ra\u00e7a de homens mais valorosos. Mas de que pode servir tudo isto, no estado a que o governo espanhol deixou atualmente chegar a causa p\u00fablica?<\/p>\n\n\n\n<p>Suponhamos que continuava a insurrei\u00e7\u00e3o na Espanha, esta, a n\u00e3o ser geral e formalizada debaixo de um plano bem concertado e melhor executado, com os socorros de Inglaterra, n\u00e3o poderia j\u00e1 mais produzir outro efeito sen\u00e3o o de matar alguns soldados franceses e dar ao conquistador um plaus\u00edvel pretexto para levar por toda parte a morte, a mis\u00e9ria e a desola\u00e7\u00e3o. Napole\u00e3o faria brigar espanh\u00f3is contra espanh\u00f3is, e depois de exaurir ambos os partidos, reduziria o resto \u00e0 mais completa escravid\u00e3o. E admitindo, o que \u00e9 muito para desejar, que os bem dirigidos esfor\u00e7os dos espanh\u00f3is, ajudados pela Inglaterra, conseguiam expulsar os franceses da Espanha, ningu\u00e9m supor\u00e1 que haveria na mesma Espanha for\u00e7as bastantes para ir ao centro da Fran\u00e7a libertar a fam\u00edlia real que l\u00e1 se acha prisioneira. Essa, considero perdida: e talvez uma contra-revolu\u00e7\u00e3o na Espanha, infelizmente, sirva para acelerar-lhe os dias de vida.<br>Here is the text with the spelling corrected:<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes termos n\u00e3o hesito em declarar a minha opini\u00e3o de que, o Pr\u00edncipe do Brasil, que, por parte de Sua Mulher, \u00e9 o \u00fanico herdeiro leg\u00edtimo da Monarquia Espanhola, deve apossar-se de tudo o que lhe ficar ao capto; antes que o inimigo comum tome medidas convenientes, para se afirmar por tal maneira, no trono de Espanha, que at\u00e9 as Col\u00f4nias lhe n\u00e3o escapem.<\/p>\n\n\n\n<p>O Governo Ingl\u00eas podia muito bem ter desmembrado as Col\u00f4nias de Espanha de sua Metr\u00f3pole; mas nunca quis adotar este modo de hostilidade, que tende a revoltar o Povo contra o seu Governo. O General Miranda teria, sem d\u00favida, sido feliz na sua expedi\u00e7\u00e3o de Caracas, se lhe consentissem escrever nas suas bandeiras a palavra Independ\u00eancia. O mau Sucesso das armas Inglesas no Rio da Prata deve atribuir-se \u00e0 mesma causa; porque os habitantes de Buenos Aires, assim como os de Caracas, tendo de escolher entre dois males, preferiam continuar na uni\u00e3o com o seu Governo antigo. Este \u00e9 um ponto, que ainda o n\u00e3o ouvi negar; se o Governo Brit\u00e2nico empenhasse a sua F\u00e9, e palavra de honra para com os habitantes do Rio da Prata, de que eles, \u00e0 conclus\u00e3o da guerra, haviam de continuar independentes da Espanha; todo o Pa\u00eds se uniria voluntariamente aos Ingleses.<\/p>\n\n\n\n<p>Este motivo de delicadeza da parte do Governo Ingl\u00eas j\u00e1 n\u00e3o existe; porque as Col\u00f4nias de Espanha nunca prometeram fidelidade a Napole\u00e3o, nem podem obedecer a seu leg\u00edtimo Soberano, pois Carlos IV., como Rei e Soberano, deixou j\u00e1 de existir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 logo evidente, que unindo-se as for\u00e7as de S. M. Brit\u00e2nica com as do Pr\u00edncipe do Brasil, t\u00eam todo o direito, e \u00e9 muito natural que consigam desmembrar as Col\u00f4nias Espanholas de Sua antiga Metr\u00f3pole.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o entrarei aqui na discuss\u00e3o dos limites, que deve ter o Imp\u00e9rio do Brasil, e at\u00e9 que ponto o Pr\u00edncipe Regente poderia com prud\u00eancia usar dos direitos, que tem ao todo das Col\u00f4nias de Espanha; por\u00e9m \u00e9 evidente, que se o Governo do Brasil intentasse agora a total conquista de todas as Col\u00f4nias Espanholas, ainda quando tivesse meios de o fazer, seria expor-se a lan\u00e7ar no esquecimento a administra\u00e7\u00e3o interior dos seus Estados do Brasil, que s\u00e3o t\u00e3o suscet\u00edveis de melhoramento, quanto t\u00eam sido at\u00e9 agora desatentados.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das causas principais do mau Governo do Brasil era o desleixamento, quase irremedi\u00e1vel, da Corte de Lisboa, a respeito daquela importante Col\u00f4nia, o que era ocasionado pela aten\u00e7\u00e3o, que era necess\u00e1rio prestar \u00e0s rela\u00e7\u00f5es estrangeiras, com o que esquecia naturalmente a administra\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio, que por mais interessante que fosse, sempre se reputava secund\u00e1rio, em consequ\u00eancia da magnitude dos outros objetos, que concorriam com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem havido tais Governadores no Brasil que chegaram a declarar-se em pap\u00e9is p\u00fablicos &#8220;supremos int\u00e9rpretes da Lei&#8221; e com efeito aqueles pequenos d\u00e9spotas, com o t\u00edtulo de Governadores do Brasil, cometiam quantos crimes, quantas maldades se podem conceber, sem que o Governo em Lisboa atentasse por isso; porquanto s\u00f3 uma rebeli\u00e3o formal da parte destes r\u00e9pteis arvorados em Soberanos, poderia atrair a aten\u00e7\u00e3o do Governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se houver quem me negue a verdade desta asser\u00e7\u00e3o, estou pronto a produzir os fatos particulares, que a demonstrem, ali\u00e1s passarei em sil\u00eancio os nomes desses condecorados aut\u00f4matos, que s\u00f3 merecem o desprezo, e o esquecimento, de suas pessoas; ainda que seja necess\u00e1rio recordar os males, que eles t\u00eam ocasionado, para poder promover-lhe o rem\u00e9dio\u2014felizmente esta regra, ainda que general\u00edssima, admitia honradas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes males, por\u00e9m, se remediar\u00e3o, sem d\u00favida, em grande parte, com a mudan\u00e7a da Corte para o Brasil; porque a presen\u00e7a ou proximidade do Soberano, n\u00e3o pode deixar de conter dentro de mais estreitos limites o arb\u00edtrio desses a que eu chamo Desgovernadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sem lembrar, que, logo que o Governo Portugu\u00eas pense na organiza\u00e7\u00e3o interna daquele Estado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, que conserve um governo, para a administra\u00e7\u00e3o das Prov\u00edncias, no mesmo p\u00e9 em que ele se acha, sendo aquele governo puramente militar, como s\u00e3o quase todos os do Oriente; eu n\u00e3o suponho as pessoas, que t\u00eam a principal parte nos Conselhos do Brasil, t\u00e3o faltos de senso, e de conhecimentos, que tendo de organizar o governo interno do seu Pa\u00eds, prefiram um Despotismo Militar, a um Governo civil bem regulado.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em outro tempo disse aquele Espartano: &#8220;Regiam potestatem circumscribere non est dissolvere, sed conservare.&#8221; As constantes perturba\u00e7\u00f5es dos Governos do Oriente s\u00e3o, e devem ser, uma constante li\u00e7\u00e3o, para os amigos de um demasiado poder.<\/p>\n\n\n\n<p>As vantagens, por\u00e9m, que o Povo do Brasil pode, e tem direito de esperar, de ter l\u00e1 o seu Governo, seriam nulas, ou ao menos sumamente diminutas, se o Soberano empreendesse agora tomar posse \u00e0 for\u00e7a de armas, de todo o Territ\u00f3rio Americano, a que tem direito por parte da Princesa Sua Mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>[Continuar-se-\u00e1.]<br>R\u00fassia.<br>S. Petersburgo, 20 de Mar\u00e7o, de 1808. Ukase ao Senado.<br>&#8220;Em consequ\u00eancia da declara\u00e7\u00e3o que se comunicou ao Senado, aos 25 de Outubro de 1807, relativamente \u00e0 causa da ruptura com Inglaterra, e \u00e0 suspens\u00e3o de toda a comunica\u00e7\u00e3o comercial, entre as duas Na\u00e7\u00f5es, ordenamos o seguinte,&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;1. Proibimos a importa\u00e7\u00e3o, para a R\u00fassia, de quaisquer mercadorias Inglesas, perten\u00e7a \u00e0 Na\u00e7\u00e3o que pertencer, a sua propriedade; ou sejam fazendas apresadas, ou existentes em outro algum pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;2. Ordenamos, que todos os navios da R\u00fassia, que est\u00e3o em Inglaterra, voltem para aqui sem carga.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;3. No caso, por\u00e9m, de que algumas fazendas Inglesas se importem para alguns dos nossos portos, ou para as nossas fronteiras, devem voltar dentro do per\u00edodo estabelecido no quinto par\u00e1grafo do Ukase de 8 de Abril de 1793; conv\u00e9m a saber, dos portos, dentro de duas semanas, mas das fronteiras, dentro de tr\u00eas dias, para o lugar pr\u00f3ximo al\u00e9m das nossas fronteiras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assinado pelo punho de S. M. Imperial.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Proclama\u00e7\u00e3o para unir a Finl\u00e2ndia \u00e0 R\u00fassia.<br>&#8220;Nos, Alexandre Primeiro, pela gra\u00e7a de Deus Imperador e Autocrata de todas as R\u00fassias, etc. As declara\u00e7\u00f5es, publicadas em tempo pr\u00f3prio, mostraram as justas causas, que Nos determinaram a romper com a Su\u00e9cia, e ordenar as nossas tropas, que entrassem no territ\u00f3rio Sueco em Finl\u00e2ndia. A seguran\u00e7a do nosso Pa\u00eds requeria de N\u00f3s esta medida.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Manifesto ferrou d&#8217;El Rei de Su\u00e9cia \u00e0 Pot\u00eancia hostil, que est\u00e1 disposta contra N\u00f3s, a sua nova alian\u00e7a com a mesma, e finalmente, o violento e inaudito passo, que se atreveu a dar a respeito do Nosso Embaixador em Estocolmo; precedente t\u00e3o injurioso \u00e0 dignidade do Nosso Imp\u00e9rio, quanto \u00e9 contr\u00e1rio a todos os direitos, que se reputam sagrados, em todos os Estados civilizados; tem mudado a medida militar de precau\u00e7\u00e3o numa ruptura absoluta, e feito a guerra inevit\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Todo-Poderoso tem sustentado a nossa justa causa, com a sua Prote\u00e7\u00e3o. As nossas Tropas, com a sua costumeira coragem, e vencendo todas as dificuldades, que se lhe opunham, abriram os seus caminhos, por lugares, que se julgavam inacess\u00edveis, na presente esta\u00e7\u00e3o; t\u00eam ido encontrar-se com o inimigo em todas as partes, t\u00eam-no valorosamente derrotado, e conquistado, ficando em seu poder quase toda a Finl\u00e2ndia Sueca.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta Prov\u00edncia, assim conquistada por nossas armas, N\u00f3s a unimos, deste dia para sempre, com o Imp\u00e9rio Russo, e em consequ\u00eancia temos dado ordem, para que os habitantes prestem o juramento de fidelidade ao nosso trono.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Anunciando esta uni\u00e3o aos Nossos fi\u00e9is vassalos, estamos convencidos de que, participando conosco dos Nossos sentimentos de reconhecimento e gratid\u00e3o para com a Provid\u00eancia, enviar\u00e3o ao Alt\u00edssimo as suas ardentes ora\u00e7\u00f5es, para que Sua Onipot\u00eancia se digne preceder Nosso ex\u00e9rcito, em todas as suas opera\u00e7\u00f5es ulteriores, aben\u00e7oar as nossas armas, e coro\u00e1-las com o bom \u00eaxito, afastando das fronteiras do Nosso Pa\u00eds a crise, com que os inimigos t\u00eam pretendido abal\u00e1-las.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Dado em S. Petersburgo, aos 20 de Mar\u00e7o, do nascimento de Cristo 1808, e no 8\u00ba ano do Nosso Reinando.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abALEXANDRE.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>Sic\u00edlia.<br>Palermo, 30 de Mar\u00e7o. Tratado de alian\u00e7a entre S. M. o Rei do Reino Unido da Gr\u00e3-Bretanha e Irlanda, e S. M. o Rei das Duas Sic\u00edlias.<br>S. M. o Rei do Reino Unido da Gr\u00e3-Bretanha e Irlanda, e S. M. o Rei das Duas Sic\u00edlias, estando igualmente animados por um sincero desejo de fortalecer mais e mais os la\u00e7os de amizade e boa intelig\u00eancia, que t\u00e3o felizmente subsistem entre eles, t\u00eam julgado que nada poderia contribuir mais eficazmente para este saud\u00e1vel fim do que a conclus\u00e3o de um tratado de alian\u00e7a e subs\u00eddio. Para este fim nomearam S. S. M. M. os seus respectivos Plenipotenci\u00e1rios; conv\u00e9m a saber, S. M. Brit\u00e2nica, o Muito Honrado Guilherme Drummond, um dos do Muito Honrado Conselho Privado de S. M. e seu Enviado Extraordin\u00e1rio, e Ministro Plenipotenci\u00e1rio na Corte de Sua Dita Majestade Siciliana\u2014E S. M. o Rei das Duas Sic\u00edlias, o Ilustr\u00edssimo e Excelent\u00edssimo Thomaz de Somma, Marqu\u00eas de Circello, Seu Gentil-homem da C\u00e2mara, Marechal de Campo dos Seus Ex\u00e9rcitos, Cavaleiro de Sua Real Ordem de S. Janu\u00e1rio, Seu Conselheiro de Estado, Secret\u00e1rio de Estado da Reparti\u00e7\u00e3o dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, e Superintendente geral dos Correios; os quais, havendo comunicado os seus respectivos plenos poderes, concordaram nos seguintes artigos.<\/p>\n\n\n\n<p>ARTIGO I. Haver\u00e1 continua\u00e7\u00e3o da sincera e constante amizade entre S. M. Brit\u00e2nica e S. M. o Rei das Duas Sic\u00edlias, Seus Herdeiros e Sucessores, assim como tem subsistido at\u00e9 o tempo presente.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. II. As duas Altas Partes contratantes dar\u00e3o uma \u00e0 outra, durante a presente guerra com a Fran\u00e7a, todo o socorro e assist\u00eancia, \u00e0 propor\u00e7\u00e3o das suas respectivas for\u00e7as, e prevenir\u00e3o de comum acordo, tudo quanto lhe possa causar perturba\u00e7\u00e3o ou detrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. III. S. M. O Rei das Duas Sic\u00edlias se obriga a dar \u00e0s Tropas de S. M. Brit\u00e2nica aquarteladas nas fortalezas de Sic\u00edlia, e a todos os Navios Brit\u00e2nicos de guerra, uma isen\u00e7\u00e3o de todos os direitos, que lhe s\u00e3o devidos, sobre tudo o que precisarem as Esquadras Inglesas no Mediterr\u00e2neo, e as Tropas daquela Na\u00e7\u00e3o, e que o pa\u00eds puder fornecer, em provis\u00f5es, mantimentos, e muni\u00e7\u00f5es militares e navais.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. IV. S. M. Siciliana, desejando dar uma prova adicional dos sentimentos por que \u00e9 animado, tamb\u00e9m se obriga a isentar de todos os direitos que lhe pertencem, sobre tais provis\u00f5es, que sejam necess\u00e1rias aos navios de guerra Brit\u00e2nicos, em Malta, assim como todas as muni\u00e7\u00f5es militares, que se podem achar neste pa\u00eds, com a condi\u00e7\u00e3o de que cada navio ou vaso de guerra ser\u00e1 munido com uma requisi\u00e7\u00e3o do Governador da dita Ilha, o qual especificar\u00e1 os artigos, e a quantidade requerida.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. V. S. M. Siciliana se obriga, outrossim, em virtude do presente Tratado, a nunca sofrer que os inimigos da Gr\u00e3-Bretanha tragam para algum de seus portos, durante a presente guerra, navios alguns que hajam sido tomados pelos inimigos da Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. VI. S. M. Siciliana tamb\u00e9m se obriga a abrir os portos das Duas Sic\u00edlias, durante a presente guerra, \u00e0s Esquadras Brit\u00e2nicas, assim como a todos os navios mercantes, e outros pertencentes a vassalos Brit\u00e2nicos, sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o qualquer, referindo-se ao terceiro Artigo relativamente \u00e0 isen\u00e7\u00e3o dos direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. VII. S. M. Brit\u00e2nica se obriga, em compensa\u00e7\u00e3o disto, a defender, durante a presente guerra, as fortalezas de Messina e Augusta, e a manter ali, para esse fim, \u00e0 sua custa e despesas, um corpo de Tropas que, na presente guerra, consistir\u00e1 de 10.000 homens; e de aumentar o seu n\u00famero, se o caso o requerer. A disposi\u00e7\u00e3o das referidas Tropas nas ditas fortalezas ser\u00e1 feita na maneira e propor\u00e7\u00e3o que julgarem conveniente, os Oficiais Comandantes (a quem se lhe facilitar\u00e1 tudo o que for necess\u00e1rio). E Sua Majestade Brit\u00e2nica estipula, que os ditos Oficiais Gerais ter\u00e3o o poder de exercer a Lei Marcial, nas sobreditas guarni\u00e7\u00f5es, relativamente \u00e0s tropas Brit\u00e2nicas, na mesma forma, e segundo as mesmas regras, que se observam nas outras guarni\u00e7\u00f5es Inglesas. S. M. Siciliana fornecer\u00e1 quart\u00e9is para as ditas Tropas nas sobreditas fortalezas.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. VIII. S. M. Brit\u00e2nica outrossim se obriga a pagar a S. M. Siciliana, durante a continua\u00e7\u00e3o da presente guerra, um subs\u00eddio anual de 300.000 libras esterlinas (que come\u00e7ar\u00e1 do dia 10 de Setembro de 1805, que foi quando as Tropas Brit\u00e2nicas e Russas desembarcaram no territ\u00f3rio Napolitano) sendo pago na propor\u00e7\u00e3o de 25.000 libras esterlinas por m\u00eas, cujo pagamento ser\u00e1 sempre feito um m\u00eas adiantado, constando da data da assinatura do presente tratado. S. M. Siciliana se prop\u00f5e a empregar o dito subs\u00eddio para o uso da Sua Marinha, e for\u00e7as de terra, regulando a distribui\u00e7\u00e3o dele naquela propor\u00e7\u00e3o, que estes dois servi\u00e7os requererem, para a defesa dos seus Estados, e para as opera\u00e7\u00f5es contra o Comum inimigo; e cada tr\u00eas meses se dar\u00e1 ao Governo Brit\u00e2nico uma conta da maneira em que S. M. Siciliana tiver empregado os Subs\u00eddios que lhe s\u00e3o pagos pela Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. IX. As duas Altas partes contratantes, desejando fortificar mais e mais os la\u00e7os que unem as duas Na\u00e7\u00f5es, e estender as suas m\u00fatuas rela\u00e7\u00f5es, se empregar\u00e3o, assim que lhes for poss\u00edvel, em concluir um Tratado de Com\u00e9rcio, cujos artigos ser\u00e3o igualmente vantajosos aos vassalos de ambos os Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. X. S. M. Siciliana se obriga a n\u00e3o concluir com a Fran\u00e7a uma paz separada da Inglaterra, e S. M. Brit\u00e2nica da sua parte se obriga a n\u00e3o fazer uma paz com a Fran\u00e7a, sem compreender e salvar os interesses de S. M. Siciliana.<\/p>\n\n\n\n<p>ART. XI. O presente tratado de alian\u00e7a e de subs\u00eddio ser\u00e1 ratificado pelas duas Altas Partes contratantes, e a ratifica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 trocada na devida forma, em Londres, dentro do espa\u00e7o de quatro meses da data da sua assinatura, ou mais breve se for poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em testemunho do que, n\u00f3s, os abaixo assinados, munidos com os Plenos poderes de nossos respectivos Soberanos, assinamos o presente Tratado, e o selamos com os selos de nossas Armas.<br>Dado em Palermo, aos 30 dias de Mar\u00e7o, de 1808.<br>G. DRUMMOND. THOMAZ DE SOMMA.<br>(L. S.) (L. S.)<\/p>\n\n\n\n<p>Tirania de Bonaparte na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Roma, 28 de Abril. S. Santidade persiste ainda na mesma disposi\u00e7\u00e3o a respeito das concess\u00f5es que dele se t\u00eam exigido. Pelos fins do m\u00eas passado, dirigiu S. S. por meio de seu Secret\u00e1rio de Estado, a seguinte carta circular a todos os Cardeais que tinham recebido ordem do general franc\u00eas para sair de Roma; concebida nestes termos:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S. S. nosso Amo ordenou ao seu Secret\u00e1rio de Estado, Cardeal Dor\u00eda Pamphili, fazer saber a V. Emin\u00eancia que seu cora\u00e7\u00e3o tem sido penetrado da mais viva dor, sendo informado da ordem dada pelo General franc\u00eas a tantos membros do Sacro Col\u00e9gio para que houvessem de despejar Roma dentro em tr\u00eas dias. S. S., que v\u00ea claramente ser esta medida tendente \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio da Igreja, pois se apartam de sua pessoa aqueles membros que s\u00e3o necess\u00e1rios \u00e0 dire\u00e7\u00e3o dos seus neg\u00f3cios, e por fim o seu Ministro e seu Vig\u00e1rio, n\u00e3o pode em consci\u00eancia permitir a sua sa\u00edda. Portanto, ele pro\u00edbe a cada um de persi, em consequ\u00eancia do juramento de obedi\u00eancia, o sair de Roma, a menos que n\u00e3o seja absolutamente compelido por for\u00e7a. E S. S. prevendo o caso em que, depois de terem arrancado a V. Emin\u00eancia do seu seio, poder\u00e1 V. Emin\u00eancia ser deixado a certa dist\u00e2ncia de Roma, \u00e9 de opini\u00e3o que n\u00e3o continue V. E. a sua viagem (a menos que se use de compuls\u00e3o) at\u00e9 o lugar que for designado a V. E., a fim de que seja de p\u00fablica notoriedade que a separa\u00e7\u00e3o de V. Emin\u00eancia do Cabe\u00e7a da Igreja n\u00e3o foi volunt\u00e1ria, mas procedeu de compuls\u00e3o. As virtudes de todos os indiv\u00edduos que receberam ordem de partir s\u00e3o s\u00f3 quem pode consolar a aflita alma de S. S., e s\u00e3o para ele o penhor de que, seguindo o seu exemplo, eles sofrer\u00e3o esta persegui\u00e7\u00e3o com paci\u00eancia; e que os sentimentos do Sacro Col\u00e9gio, longe de se enfraquecerem, se fortificar\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Argel.<\/p>\n\n\n\n<p>Abril 28. As medidas adotadas pelo Dey de Argel contra os europeus fazem-se cada dia mais violentas. Como o Dey acaba de assumir o Governo \u00e0s suas m\u00e3os e n\u00e3o est\u00e1 de forma nenhuma seguro da fidelidade de suas tropas, nem ainda mesmo da confirma\u00e7\u00e3o do seu posto pelo Grande Senhor, pois esta ainda n\u00e3o lhe chegou; e estando al\u00e9m disso envolvido numa sanguinolenta guerra contra o Dey de T\u00fanis, assentou que podia, apesar destas circunst\u00e2ncias, meter todas as na\u00e7\u00f5es \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 22 do corrente, pediu aos C\u00f4nsules sueco, dinamarqu\u00eas e holand\u00eas que lhe trouxessem os seus presentes; e pediu ao C\u00f4nsul da Am\u00e9rica 18.000 piastras dobres para se indemnizar da perda de nove argelinos que haviam sido tomados a bordo de um navio americano. O c\u00f4nsul pretextou que essa gente havia sido lan\u00e7ada ao mar pela equipagem quando eles estavam ao ponto de serem abordados por um de seus cors\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f4nsul da Su\u00e9cia concordou em dar o presente. Aos 23 foram chamados a Pal\u00e1cio os C\u00f4nsules da Dinamarca, Holanda e Am\u00e9rica. O C\u00f4nsul da Holanda disse que esperava instru\u00e7\u00f5es de seu Governo e que, enquanto n\u00e3o recebesse, n\u00e3o podia fazer presente algum. Em consequ\u00eancia disto, o Dey fez intimar que, se \u00e0 volta do mensageiro n\u00e3o recebesse o presente, mandaria p\u00f4r os filhos a trabalhar a ferros.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f4nsul da Am\u00e9rica disse que, n\u00e3o havendo recebido not\u00edcia oficial de seu Governo relativamente \u00e0s 18.000 piastras, n\u00e3o podia fazer pagamento algum. O Dey replicou que ou ele haveria de pagar esta soma em quatro dias, ou que o metia a ferros; do contr\u00e1rio, que lhe entregasse nove americanos que ele queria enforcar \u00e0s portas de Bab-azou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mr. Ulrich, c\u00f4nsul da Dinamarca, fez uma representa\u00e7\u00e3o sobre o estado do seu pa\u00eds, alegando que o navio em que vinham os presentes fora tomado e confiscado pelos ingleses, e que o mesmo Agente ingl\u00eas em Argel poderia atestar isto; solicitava, portanto, o C\u00f4nsul do Governo algum tempo de espera. O Dey, por\u00e9m, replicou a isto com o mandar imediatamente agarrar pelos seus oficiais de Justi\u00e7a e conduzir \u00e0 pris\u00e3o entre as m\u00e3os de uma b\u00e1rbara popula\u00e7\u00e3o. Mas pelos rogos de todos os outros C\u00f4nsules europeus se p\u00f4de obter a sua liberdade. Todos os escravos s\u00e3o aqui tratados com a mais horr\u00edvel crueldade. 450 portugueses se acham fechados numa pris\u00e3o porque a Corte de Lisboa se demorou em mandar o seu tributo. O Governo n\u00e3o lhes tem mandado o menor socorro e, portanto, acham-se na mais deplor\u00e1vel mis\u00e9ria. Tanto os oficiais quanto os marinheiros s\u00e3o condenados ao trabalho e tratados com a maior ignom\u00ednia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande n\u00famero de napolitanos sofre quase a mesma sorte, e o Dey, que espera conquistar T\u00fanis na primeira campanha, se lisonjeia com a possibilidade de cativar mais de 3.000 escravos europeus, cujo resgate ele intenta fixar em alto pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lisboa, 14 de Maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Extrato de uma carta de Lisboa:<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns artigos t\u00eam aqui subido a um ponto extraordin\u00e1rio: o algod\u00e3o est\u00e1 a 600 rs. a libra e no Porto a 700 rs.; a manteiga custa de 500 a 600 rs. a libra. H\u00e1 poucos dias entrou no Porto um navio de Rostock, e vindo um bote cheio de gente a abord\u00e1-lo, o Capit\u00e3o sup\u00f4s que eram ladr\u00f5es e fez-lhes fogo, com o que malferiu alguns; em consequ\u00eancia deste desacato, foi o dito Capit\u00e3o preso e o navio embargado, mas n\u00e3o sabemos ainda qual ser\u00e1 o resultado.<\/p>\n\n\n\n<p>Su\u00e9cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Gotemburgo, Maio 30.\u2014Hoje chegaram aqui algumas pessoas de Hamburgo, de onde partiram aos 14 do corrente; e dizem que as cartas inglesas que ali foram ter de Helgoland n\u00e3o s\u00f3 foram apreendidas, mas al\u00e9m disso as pessoas a quem vinham dirigidas foram presas e os portadores enforcados. Toda a comunica\u00e7\u00e3o com Inglaterra e Su\u00e9cia est\u00e1 proibida sob pena de morte.<\/p>\n\n\n\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o inglesa, comandada pelo Cavaleiro Jo\u00e3o Moore, ainda existe no nosso porto, esperando ordens de Inglaterra. H\u00e1 poucos dias, a fragata Tribune deu \u00e0 vela com um comboio para o B\u00e1ltico; embarca\u00e7\u00f5es do comboio foram tomadas pelas canhoneiras dinamarquesas junto ao Sound.<\/p>\n\n\n\n<p>Por not\u00edcias de K\u00f6nigsberg recebidas hoje, sabemos que quase todo o Ex\u00e9rcito Prussiano se tem desbandado e os soldados se t\u00eam retirado a suas casas. N\u00e3o restam mais do que cinco mil homens desta, em outros tempos, grande e florescente for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Estocolmo, Maio 25.<\/p>\n\n\n\n<p>S. M. recebeu ontem a seguinte rela\u00e7\u00e3o do Major General Bar\u00e3o Aukersward, relativa ao que se passou na Ilha de Gotland:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Recebi neste momento pelo Assessor Dubbas a parte do Almirante Bar\u00e3o Cedestrom, que a esquadra de V. M., composta de tr\u00eas navios de linha, duas fragatas e dois brigues armados, o iate Fortuna e v\u00e1rios transportes, ancoraram a 14 do corrente em Sandwich, e na mesma tarde as tropas suecas, infantaria e artilharia, fizeram o seu desembarque. No dia seguinte, aos 15, chegou a Wasley uma bandeira parlamentar com os artigos de capitula\u00e7\u00e3o aqui anexos, que foram assinados aos 16. A vanguarda sueca, composta de ca\u00e7adores, entrou no lugar aos 17; as tropas russas tinham j\u00e1 marchado para Slito; o Chefe de Brigada, Tenente Coronel Bar\u00e3o de Fleetwood, marchou com o corpo do ex\u00e9rcito para Slito, em consequ\u00eancia de haverem os russos, contra a capitula\u00e7\u00e3o, encravado algumas pe\u00e7as e estragado grande quantidade de p\u00f3lvora, e n\u00e3o terem pago as d\u00edvidas que se obrigaram a pagar. Aos 18, o Almirante Bar\u00e3o Cedestrom tentou levantar ferro e preencher os termos da capitula\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A parte que me deu o Assessor Dubbas \u00e9 datada de 18 do corrente. Kalmar, 21 de Mar\u00e7o de 1808, \u00e0s duas horas depois do meio-dia.<\/p>\n\n\n\n<p>M. AUCKERSWALD, Major General e Comandante da Divis\u00e3o de Kalmar<\/p>\n\n\n\n<p>Artigos relativos \u00e0 evacua\u00e7\u00e3o da Ilha de Gotland.<\/p>\n\n\n\n<p>I. As Tropas de S. M. Imperial Russa devem evacuar a ilha dentro de dois dias e entregar \u00e0s tropas de S. M. Sueca todas as armas, muni\u00e7\u00f5es e artilharia que trouxeram consigo ou tomaram na ilha. Devem dar a sua palavra de honra de que, antes de expirarem doze meses, n\u00e3o servir\u00e3o contra o Rei da Su\u00e9cia ou seus aliados.<\/p>\n\n\n\n<p>II. Todos os efeitos e armaz\u00e9ns de qualquer nome ou descri\u00e7\u00e3o que sejam e que perten\u00e7am ao Rei da Su\u00e9cia e que tenham sido consumidos pelas tropas russas ser\u00e3o pagos; e o valor de todas as contribui\u00e7\u00f5es que se tenham imposto ser\u00e1 tamb\u00e9m reembolsado.<\/p>\n\n\n\n<p>III. As Tropas Russas poder\u00e3o levar consigo os seus efeitos e propriedades e marchar para Slito, e a\u00ed se embarcar\u00e3o a bordo dos mesmos transportes que os trouxeram para ali; dar-se-lhes-\u00e1 um passaporte para que possam retirar-se sem ser molestados para os portos russos ou prussianos; e, se necessitarem mantimentos, estes ser\u00e3o fornecidos, pagando o seu justo valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 4 (16) de Maio de 1803.<\/p>\n\n\n\n<p>RODOLPHO CEDESTROM.<\/p>\n\n\n\n<p>BODISKO, Chefe de Esquadra e Cavaleiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Londres, 1 de Junho.<\/p>\n\n\n\n<p>O Embaixador de Portugal nesta Capital, de acordo com os negociantes que desejavam remeter fazendas para o Brasil, fez alguns regulamentos (provisionais at\u00e9 que a vontade do Pr\u00edncipe Regente lhe seja conhecida) estabelecendo as condi\u00e7\u00f5es com que daria licen\u00e7as para se exportarem para o Brasil as manufaturas de algod\u00e3o inglesas. Estas s\u00e3o, em suma, as condi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os negociantes que desejarem exportar para o Brasil fazendas de algod\u00e3o manufaturadas em Inglaterra, sem esperar pelos regulamentos de S. A. R., ser\u00e3o obrigados a obter uma licen\u00e7a do Conselho Privado para ir a Cabo Frio e esperar l\u00e1 as instru\u00e7\u00f5es de S. A. R. relativamente ao porto de descarga, ao qual somente poder\u00e3o ir em consequ\u00eancia de uma conven\u00e7\u00e3o que devem assinar para este fim.\n\nTodos os capit\u00e3es e propriet\u00e1rios prestar\u00e3o na Alf\u00e2ndega de Londres uma fian\u00e7a igual ao valor da carga para exibir a sua carga na Alf\u00e2ndega do porto em que houverem de desembarcar, e onde S. A. R. o Pr\u00edncipe Regente permitir a entrada de algod\u00f5es manufaturados em Inglaterra.\n\nTodos os capit\u00e3es e propriet\u00e1rios se obrigar\u00e3o a pagar na Alf\u00e2ndega dos ditos portos de descarga os mesmos direitos que se pagavam em Portugal pelas taxas; ou, em lugar disso, aqueles direitos que se houverem j\u00e1 estabelecido para as manufaturas de algod\u00e3o inglesas.\n\nPara a seguran\u00e7a de que n\u00e3o se exportam fazendas da \u00cdndia, se apresentar\u00e1 o conhecimento ou manifesto da carga, certificado sob juramento e verificado, segundo o costume da Alf\u00e2ndega; este ser\u00e1 assinado pelo C\u00f4nsul Geral J. C. Lucena e pelo mesmo Embaixador portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>As condi\u00e7\u00f5es concluem assim: &#8220;Com estas condi\u00e7\u00f5es, que cont\u00eam tudo o que o Com\u00e9rcio pode racionalmente Memorandum que ser\u00e1 endossado nas licen\u00e7as:<br>Ter\u00e1 a bondade de comunicar ao portador desta carta, Capit\u00e3o do Navio, as ordens que tiver de S. A. R. o Pr\u00edncipe Regente, para a admiss\u00e3o, em certos portos, dos navios carregados com as fazendas especificadas nesta licen\u00e7a. No caso de n\u00e3o haver ordens desta natureza em Cabo Frio, rogo aos comandantes das fortalezas da Lage e de Santa Cruz que pe\u00e7am as ordens do Pr\u00edncipe, dirigindo-se \u00e0 Secretaria de Estado da reparti\u00e7\u00e3o a que isto pertence; e que as comuniquem ao portador.<br>A 11 do m\u00eas passado chegou a esta cidade o Cap. Gon\u00e7alo Gomes de Mello, que aportou a Falmouth no brigue Golfinho. Trouxe despachos para o nosso Governo e para o Embaixador Portugu\u00eas, com a not\u00edcia oficial de haver chegado \u00e0 Bahia o Pr\u00edncipe Regente, aos 19 de Janeiro. Aos 28, o Pr\u00edncipe publicou um decreto, pelo qual regula o com\u00e9rcio do Brasil com os estrangeiros (este decreto aparecer\u00e1 no n\u00famero seguinte no lugar competente). O mais not\u00e1vel deste documento \u00e9 que S. M., n\u00e3o fazendo distin\u00e7\u00e3o entre a bandeira nacional e a estrangeira quanto aos direitos da alf\u00e2ndega, coloca os seus navios em desvantagem para o com\u00e9rcio externo; porque, sendo em todas as outras partes os navios nacionais mais favorecidos do que os estrangeiros, a bandeira Portuguesa fica inferior em lucros na retomada da viagem. Os primeiros a sentir este dano ser\u00e3o os navios portugueses que agora se acham em Londres; porque a maior parte deles ter\u00e1 de voltar em lastro para o Brasil.<br>Londres, 15 de Junho.<br>Quarta-feira pela manh\u00e3, cerca das sete horas, chegaram aqui dois nobres espanh\u00f3is, o Visconde Materosa e D. Diogo de la Vega; acompanhou-os ao Almirantado o Capit\u00e3o Hill do Humber. Sa\u00edram de Gij\u00f3n em um bote descoberto e ofereceram ao Capit\u00e3o 500 guin\u00e9us para os trazer a Inglaterra. Trazem novidades de maior import\u00e2ncia, pois v\u00eam pedir socorros da parte dos espanh\u00f3is para se opor \u00e0 invas\u00e3o dos franceses. O nosso Governo fez-lhes o melhor acolhimento poss\u00edvel e j\u00e1 deu ordens para se expedirem os socorros que pediam. Ambos estes nobres estavam em Madrid quando sucederam as cat\u00e1strofes que custaram a vida a tanta gente. Na sua opini\u00e3o, morreram cerca de 4.000 franceses, entre os quais muitos oficiais.<br>Os membros do Parlamento mostraram todos o maior desejo de ajudar a Espanha. A voz comum era n\u00e3o s\u00f3 a favor desta medida, mas tamb\u00e9m disse-se logo que a Inglaterra n\u00e3o devia estipular coisa alguma para si, mas simplesmente socorrer os espanh\u00f3is na sua gloriosa luta, com tudo o que este pa\u00eds pudesse fornecer na conjuntura atual. As express\u00f5es dos membros do Parlamento indicavam os mais desinteressados sentimentos; e com efeito, as tropas e a esquadra que se achavam mais \u00e0 m\u00e3o j\u00e1 tiveram ordens para partir, nomeou-se j\u00e1 o General, que \u00e9 um dos mais h\u00e1beis da Inglaterra; e se os espanh\u00f3is abrirem um porto que assegure a comunica\u00e7\u00e3o com os ingleses, n\u00e3o se pode duvidar de que ter\u00e3o o mais eficaz aux\u00edlio.<br>Nas gazetas de Londres de 14 do m\u00eas passado, vem o seguinte par\u00e1grafo: &#8220;Ontem, certo n\u00famero de Londres, de cavaleiros portugueses, n\u00e3o menos distinguidos por seu patriotismo do que por sua gradua\u00e7\u00e3o, se ajuntaram para celebrar, com um espl\u00eandido jantar, os anos de S. A. R. o Pr\u00edncipe Regente; assim como a sua feliz chegada aos seus Estados do Brasil. Como chefes desta patri\u00f3tica festa apareceram o Cavaleiro Jos\u00e9 Anselmo Corr\u00eaa, Encarregado, que foi de Neg\u00f3cios em Su\u00e9cia, A. M. Galv\u00e3o, Desembargador da Rela\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, o Doutor H. I. de Ara\u00fajo Carneiro, M\u00e9dico da C\u00e2mara de S. A. R., e A. T. de Aquino Siqueira, Ajudante de Ordens do Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>As sa\u00fades principais, que se beberam, foram:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A S. A. R., nosso am\u00e1vel Soberano e Pr\u00edncipe Regente.<br>\u2022 \u00c0 Fam\u00edlia Real.<br>\u2022 Que as a\u00e7\u00f5es dos portugueses para com o seu Soberano correspondam aos fieis sentimentos de seu cora\u00e7\u00e3o.<br>\u2022 Aos nossos compatriotas, que sofrem agora nas cadeias do despotismo franc\u00eas, desejando livrar-se para servirem a seu Soberano.<br>\u2022 \u00c0 mem\u00f3ria de Pedro \u00c1lvares Cabral, o descobridor do rico Imp\u00e9rio do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Cantou-se um hino composto pelo Presidente da Mesa J. A. Corr\u00eaa, com a m\u00fasica do &#8220;God Save the King.&#8221; Eu tenho toda a satisfa\u00e7\u00e3o de ter obtido uma c\u00f3pia deste hino, que julgo tanto mais apropriado quanto \u00e9 feliz a lembran\u00e7a do autor em adapt\u00e1-lo \u00e0 m\u00fasica do canto ingl\u00eas &#8220;God Save the King&#8221;; porque esse mesmo pensamento mostra a uni\u00e3o que reina, e deve reinar, entre estas duas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>HINO PATRI\u00d3TICO<\/p>\n\n\n\n<p>Cantado no dia de anos de S. A. R. o Pr\u00edncipe Regente de Portugal, em Londres, com a m\u00fasica de &#8220;God Save the King.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Nossas Quinas Reais,<br>Aos inimigos fatais,<br>S\u00e3o imortais.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja com honra e gl\u00f3ria,<br>Pela eterna mem\u00f3ria,<br>Coroado de vit\u00f3ria,<br>O nosso Rei.<\/p>\n\n\n\n<p>No Luso cora\u00e7\u00e3o,<br>Perfeita submiss\u00e3o,<br>Ao nosso Rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu retrato amado,<br>Em todo peito honrado,<br>Ser\u00e1 sempre gravado.<br>Ah! viva o Rei!<\/p>\n\n\n\n<p>No peito portugu\u00eas,<br>Valor, intrepidez,<br>Por nosso Rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva em n\u00f3s respeitado,<br>Desde o Tejo dourado,<br>At\u00e9 o polo gelado,<br>O nosso Rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Ante o trono prostrado,<br>Seja em verso cantado<br>Pelo vassalo honrado.<br>Ah! viva o Rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Da Fam\u00edlia de Bragan\u00e7a<br>A saudosa lembran\u00e7a<br>Sempre teremos.<br>Desses lusos var\u00f5es,<br>Com fieis cora\u00e7\u00f5es,<br>Se imitem as a\u00e7\u00f5es<br>Por nosso Rei\u2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>The following text is a transcription of the first issue of the digitised facsimile of the Correio Braziliense available at Biblioteca Digital (BBM Digital) da Biblioteca Brasiliana Guita&#8230;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"image","meta":{"advgb_blocks_editor_width":"","advgb_blocks_columns_visual_guide":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"jetpack_post_was_ever_published":false,"cybocfi_hide_featured_image":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[69,15,11],"tags":[],"class_list":["post-742","post","type-post","status-publish","format-image","hentry","category-cr_issues","category-digitised-sources","category-newspapers","post_format-post-format-image"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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